quinta-feira, 13 de março de 2008

Leiteiro à porta!...


Como diz o outro: “Ainda sou do tempo do leiteiro à porta.”
Agora compro-o no “Hiper” que estiver mais à “mão”... (os tais dos preços “baixos”...)
O leite como o pão continuam a ser a base de alimentação de muitas famílias. Nós tínhamos leite mais que suficiente para as “necessidades internas”. Veio a UE e obrigou-nos a colocar “quotas de produção” aos agricultores. Agora que muitos tiveram que abandonar essa actividade veio (a UE) dizer-nos: “Ok!... O pessoal já pode aumentar a produção. Mas olhem que agora é quem vender mais barato é que se safa!...”
A União Europeia interessou a quem? – pergunto eu.

Do jornal “Global” de hoje deixo-vos esta “boa” notícia:

Aumento da produção em França fará os preços cair. E os produtores portugueses receiam fim do regime de quotas.

O preço do leite poderá cair seis cêntimos por litro e a produção em Portugal ser aumentada em 39 mil toneladas a partir de Abril, medidas que não agradam às federações e associações do sector.
Na opinião da Federação Nacional das Cooperativas de a medida anunciada pela Associação dos Produtores de Leite e de Carne (Leicar), de reduzir o preço do leite, é irresponsável e só servirá para confundir os consumidores.
Prudência. “Não se podem confundir questões agrícolas com questões do mercado”, alertou o presidente da Fenelac, Fernando Cardoso, citado pela agência Lusa, acrescentando que qualquer projecção do preço do leite feita agora deve ser “muito prudente”.
Quanto à permissão dada por Bruxelas para o aumento das quotas leiteiras em Portugal, a Leicar considera que esta medida servirá para matar os produtores de leite no País.
“O sistema de quotas é bom, pois permite, ao menos ,o controlo da produção a nível europeu”, afirmou o presidente da Leicar, José Oliveira.
Aquele responsável prevê que a abolição das quotas apenas beneficie países grandes produtores, como a Inglaterra, Holanda e Alemanha, que desta forma vão encher o mercado comos seus produtos, aniquilando a produção de outros países.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Que "comboio" devemos apanhar?


Já não há mais palavras que possam explicar a "irredutibilidade" de um Governo que, por ter a maioria, exerce um poder ditatorial. É pura e simplesmente não querer dialogar porque... não. A história há-de ser feita...


Sindicalismo e conflitualidade (jornal “Sexta” de 07.Março.2008)
Por Elísio Estanque*
*Professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; Coordenador do Núcleo de Estudos do Trabalho e Sindicalismo

Perante as profundas mudanças que vem ocorrendo no mundo do trabalho (fragmentação, flexibilização, precariedade, etc.), num contexto geral de desfiliação e individualismo, o movimento sindical vem enfrentando crescentes dificuldades.
Enquanto o capital opera numa escala global, os sindicatos habituaram-se a agir numa lógica nacional ou sectorial (por vezes corporativa), da qual precisam de sair. O sindicalismo foi o grande movimento da sociedade industrial, mas hoje continua amarrado a esse modelo e não se adaptou ás exigências da sociedade pós-industrial da era da globalização.
No pós-25 de Abril de 1974 a mobilização dos trabalhadores foi excepcional, mas idealista e romântica. A partir de então a concertação social favoreceu a institucionalização dos sindicatos e os seus dirigentes foram-se afastando das bases. Hoje, com a precariedade e o individualismo, tende a crescer a desconfiança em relação à classe política e aos sindicatos, devido também ao clima de pressão e autoritarismo empresarial que se instalou.
Em relação à CGTP, a influência do PCP tem de facto servido de travão à renovação, mas a sua posição dominante na central beneficia do escasso envolvimento de outras forças partidárias. E é óbvio que a renovarão não está no BI mas sim no diagnóstico, no discurso e nas práticas. Requer a reinvenção das formas de acção e de articulação com os sectores do sub-emprego ou empregos atípicos e com outros movimentos sociais.
Na actual conjuntura é visível o divórcio entre o Governo e o eleitorado (que lhe deu a maioria). A sua fraca sensibilidade social, o défice de diálogo com os sindicatos, a estagnação económica com a perda de poder de compra, o bloqueio das carreiras, o agravamento das desigualdades sociais, etc., conduziram ao enquistamento social e despoletaram a onda de contestação em curso.Importa, portanto, não confundir estas grandes manifestações com manipulações político-partidárias. São protestos que traduzem um real descontentamento das pessoas.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Mais polícia é igual a mais segurança?


O Ministério da Administração Interna vai abrir as portas à formação de mais dois mil agentes e militares, da PSP e da GNR, contrariando o que tinha sido anunciado pelo próprio primeiro-ministro, José Sócrates, no ano passado, que afirmara não haver novas formações em 2008 e 2009.
Foi o ministro Rui Pereira quem anunciou a decisão, durante a apresentação do programa de 15 pontos “Portugal Seguro – Estratégia de Segurança para 2008”,que decorreu no Centro Cultural de Belém. Além do reforço do efectivo policial, Rui Pereira quer ainda criminalizar o exercício ilícito da segurança privada ,para uma pena até dois anos, e a possibilidade de os seguranças poderem usar meios de defesa não letais, abertos também às polícias municipais. (jornal Global de 06/03/2008)


Ao ler isto penso que:

Ao contrário do que defendem os liberais, quando o Estado abandona as suas funções sociais e económicas tem de reforçar a sua presença na esfera privada e cívica. A menor democracia social só poderá corresponder menor democracia política. Porque quanto menor a integração social maior terá de ser a vigilância e a repressão. Depois de um intervalo, o Estado regressa à sua função. Ao Estado Social sucede o Estado Polícia.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Uma barba à maneira...


As investigações de âmbito criminal ao caso BCP, que estão desde final de Dezembro entregues a uma secção especializada do DIAP, podem requerer cooperação internacional, revelou ontem fonte judicial citada pela agência Lusa. “[A investigação] poderá envolver necessidade de cooperação internacional”, adiantou esta fonte, sem adiantar pormenores, já que o caso se encontra em segredo de justiça. (jornal "Metro" de 05.03.2008)

terça-feira, 4 de março de 2008

Entroncamento.

Iniciamos a "nossa" viagem saindo da gare do Oriente. A primeira paragem dá-se no Entroncamento. Uma cidade que foi crescendo à volta da sua estação ferroviária. Aqui vai um pouco da sua história.
O Entroncamento é cidade e sede de concelho com 13,8 quilómetros quadrados e 18.174 habitantes (Censos 2001). Localiza-se no Vale do Tejo e pertence à Região Centro, sub-região do Médio Tejo. Situado no centro do Ribatejo, beneficia da sua inserção geoestratégica na região do Vale do Tejo e de boas acessibilidades ferroviárias e rodoviárias. Tem duas freguesias, uma de cada lado da linha férrea que atravessa o concelho. Confina com o concelho da Golegã a sul, com o de Torres Novas a poente e a norte, e com o concelho de Vila Nova da Barquinha a nascente. Dista 7 km de Torres Novas, 19 km de Tomar, 43 km de Santarém e 120 km de Lisboa.
Nasceu em meados do séc. XIX, com os alvores da construção ferroviária, e começou por ser uma simples estação de caminhos de ferro. Por perto existiam dois lugarejos de poucos habitantes (o Casal das Vaginhas e o Casal das Gouveias), onde se vieram estabelecer os primeiros trabalhadores. Os técnicos eram, na sua maior parte, estrangeiros, a mão de obra veio, numa primeira fase, de diversos pontos do país, depois acentuou-se o afluxo de trabalhadores vindos da Beira Baixa e Alentejo.
O nome da cidade deriva do entroncamento ferroviário que aqui se formou, com a junção das Linhas do Norte e do Leste, em 1864. Charneira das ligações com o Leste e Beira Baixa, a estação do Entroncamento foi, durante décadas, ponto de paragem obrigatória para quem mudava da linha do Norte para a do Leste e vice-versa, quando o comboio era o meio de transporte mais utilizado. Nesse tempo, muitos viajantes ilustres vindos da Europa pela Linha do Leste, ou fazendo o percurso inverso, almoçaram ou jantaram no restaurante da estação. Nas suas obras literárias, vários escritores se lhe referiram: Hans Christian Andersen, Ramalho Ortigão, Eça de Queiroz, Alberto Pimentel, Luzia (pseudónimo de Luísa de Freitas Lomelino) e Eduardo Meneres.
A estação do Entroncamento conheceu figuras da cena política, desde a realeza até ao pós-25 de Abril. Assistiu, em 1915, ao atentado a João Chagas, político e jornalista, que seguia para Lisboa para assumir a direcção de um novo governo, após a ditadura do general Pimenta de Castro.
Embora pequena, a povoação nascente pertencia a duas freguesias e a dois concelhos, porque a via férrea assim determinara: a poente das linhas, situava-se na freguesia de Santiago, concelho de Torres Novas, a nascente da via, o território pertencia à freguesia de Nossa Senhora da Assunção da Atalaia, concelho de Vila Nova da Barquinha.
A pequena aldeia foi crescendo, devido ao desenvolvimento dos transportes ferroviários e às respectivas estruturas de apoio aqui construídas – oficinas e escritórios. A instalação de aquartelamentos militares, a partir de 1916, determinada pela situação geográfica e as acessibilidades ferroviárias, aumentou ainda mais a importância estratégica deste lugar em pleno desenvolvimento e, consequentemente, aumentou também a população. Aos ferroviários vieram juntar-se os militares e respectivas famílias.
Em 25 de Agosto de 1926 a povoação foi elevada a freguesia, em 1932 a vila e em 24 de Novembro de 1945 foi promovida a concelho. Aos 20 dias do mês de Junho de 1991 o Entroncamento é elevado a cidade. Entre estas datas, o percurso foi de emancipação progressiva dos concelhos a que tinha pertencido, libertando-se, em primeiro lugar, de Torres Novas e depois da Barquinha. Ser, no mesmo século, aldeia, vila e cidade talvez seja um destino pouco comum na história das terras portuguesas. Do pequeno núcleo de operários e respectivas famílias que povoaram esta terra no final do século passado, chegou-se aos anos trinta com mais de 3.000 habitantes, em 1945 eram já 8.000 e esta progressão foi continuando ao longo do tempo. Em Março de 2005, estima-se a população actual em cerca de 18.780 residentes (cálculo efectuado com base no número de eleitores, multiplicado pelo índice 1,2). O aumento populacional e a expansão contínua da área habitada justificaram que, em 2003, fosse criada uma segunda freguesia (Lei 68/2003, de 26 de Agosto). Voltou-se, assim, à situação inicial: uma freguesia a poente da via férrea (Nossa Senhora de Fátima), a outra a nascente (São João Baptista), mas as duas pertencendo agora ao concelho do Entroncamento.