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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Itália e Espanha a caminho de recessões este ano e no próximo.


Itália e Espanha vão sofrer fortes recessões este ano e as suas economias vão continuar a diminuir em 2013, prevê o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Numa atualização do seu "Outlook" (publicação com previsões económicas) hoje divulgada, o Fundo prevê que o Produto Interno Bruto (PIB) da Itália diminua 2,2 por cento este ano e 0,6 por cento em 2013. Para Espanha, o FMI augura uma redução do PIB de 1,7 por cento este ano e 0,3 por cento no próximo.

Estes valores representam uma revisão muito negativa das previsões que o FMI apresentava em setembro. Na altura, o Fundo não previa recessões em nenhum destes países.

Nota: o tal... "efeito dominó"...

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Juros de Portugal batem máximos a cinco e dez anos.


Os juros exigidos pelos investidores para comprar dívida portuguesa estavam hoje a subir a cinco e dez anos para máximos históricos, mas na Grécia desciam nestes prazos.

Pelas 09:20 de Lisboa, os juros pedidos a Portugal na maturidade dos cinco anos negociavam-se a 18,498 por cento e a dez anos subiam para os 14,607 por cento, enquanto a dois anos situavam-se nos 15,590 por cento, face a quinta-feira, segundo dados da agência de informação financeira Bloomberg.

A atenção dos investidores está hoje centrada no setor financeiro, pois os bancos europeus que foram sujeitos aos testes de 'stress' vão entregar os seus planos de capitalização para atingirem, até junho, rácios 'core tier 1' de 9 por cento.

Nota: Vale a pena comentar alguma coisa?

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Grupo Salvador Caetano avança com dezenas de despedimentos a nível nacional.

O Grupo Salvador Caetano já despediu, a nível nacional, dezenas de trabalhadores, denunciaram os sindicatos à agência Lusa, situação confirmada pela empresa que se recusou a divulgar o número certo de funcionários abrangidos pela medida.

O Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente (SITE) adiantou que o grupo "continua a contactar dezenas de funcionários com vista à redução do seu quadro de pessoal" e denuncia "pressões" para que os trabalhadores assinem os acordos de rescisão.

Em resposta enviada à agência Lusa o Grupo Salvador Caetano explicou que "está a adaptar os seus recursos físicos e humanos à realidade do mercado automóvel, por forma a manter a sustentabilidade das suas operações" e que por isso "tem feito de forma tranquila e amigável alguns acordos que salvaguardam os interesses de todas as partes".

Nota: Ainda agora começou 2012... E as políticas implementadas pelo Governo estão à vista...

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Produção industrial volta a contrair-se pelo quinto mês consecutivo.


Lisboa, 02 jan (Lusa) - A produção industrial europeia voltou a contrair-se pelo quinto mês em dezembro perante o esforço dos líderes da zona euro em fazer face à crise da dívida soberana.

Um indicador baseado num inquérito a gestores feito pela Markit Economics nos 17 países da zona euro refere que o índice subiu para 46,9 pontos comparando com os 46,4 em novembro.

Segundo este indicador, qualquer valor abaixo de 50 pontos indica uma contração.

Nota: Mais uma "boa" notícia a começar o ano...

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Centenário do nascimento de Alves Redol celebra-se hoje


O centenário do nascimento do escritor Alves Redol, um dos mais importantes nomes do Neorrealismo português, é hoje assinalado em Vila-Franca de Xira com uma sessão evocativa, pelas 18:30, no Museu do Neo-Realismo.

A efeméride tem vindo a ser celebrada ao longo do ano pelo museu com exposições, exibição de filmes e leituras encenadas, e irá prolongar-se até janeiro de 2012 com a atribuição de um prémio com o nome do autor e com a realização de um congresso internacional em Lisboa.

Hoje, dia em que se completam cem anos do nascimento, o Ateneu Artístico Vilafranquense organiza uma arruada pela cidade até ao local onde de encontra a estátua de Alves Redol, com a atuação da Banda do Ateneu.

"Zé Carramilo encostou-se ao ombro do pai, num sorriso de mistério.
Uma rã chapinhou no lodo do regato, assustada com a queda de uma folha. O badalar do chocalho da égua cortava o silêncio, a espaços.
- E depois? - perguntou o rapaz. - Os meninos moram no fundo da água guardados por um peixe grande.
- Os meninos todos?
- Não. Só os filhos dos pescadores. Nascem na água e muitos morrem na água.
- E eu?
- Tu também. Pedi que te mandassem e vieste." (do livro "Avieiros").

Nota: Leiam as suas obras e saibam o que é a vida de um povo.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Moeda chinesa bate recorde contra dólar americano.

A moeda chinesa voltou hoje a bater um recorde face ao dólar, com a moeda norte-americana a valer apenas 6,3152 yuan, de acordo com a cotação anunciada pelo banco central da China.

Destak/Lusa | destak@destak.pt

O último recorde da moeda chinesa estava fixado em 6,3165 yuan contra cada dólar, um valor alcançado a 04 de novembro, o que traduz, agora, uma variação de 13 pontos base.

A subida do yuan contra o dólar ilustra a "gradual valorização" do yuan prometida pela China em 2010, em resposta às crescentes pressões ocidentais, sobretudo norte-americanas.

Na altura um dólar valia 6,83 yuan e desde então, a moeda chinesa valorizou-se quase oito por cento em relação à moeda norte-americana.

Só em 2011, a moeda chinesa já se valorizou contra o dólar americano quase 4,5 por cento.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Portugueses vão trabalhar 315,7 milhões de horas grátis.


A avançar o aumento de meia hora laboral por dia, os portugueses vão ter mais 315,7 milhões de horas de trabalho gratuito, o que corresponde a 1.761 milhões de euros que os colaboradores não recebem. E o cenário piora se tivermos em conta que este reforço de horário pode determinar a redução em 5,9% do valor pago por cada hora laboral, o que significa que todos os trabalhadores passariam a receber menos pelas horas extraordinárias que fizessem, e em todas as remunerações que fossem calculadas com base no valor hora.

As conclusões são do economista Eugénio Rosa que acrescenta que esta medida irá ainda criar condições para que mais de 183 mil trabalhadores sejam considerados «excedentários pelos patrões, dando origem a dezenas de milhares de despedimentos».

E isto porque se dividirmos aquele total de horas extra 315,7 milhões - pelo número de horas que, segundo o Eurostat, se trabalha em média por ano em Portugal (1719 horas) obtém-se 183 704, o que corresponde aos trabalhadores considerados desnecessários.

Falta de poder de compra

Para o economista Eugénio Rosa o maior problema das empresas portuguesas neste momento não é produzir mais, mas sim conseguir vender o que já produzem actualmente.

De salientar que a redução significativa do poder de compra da população, o aumento do IVA nos produtos e as maiores dificuldades em exportar, fazem com que as vendas estejam em queda.

Nota: Comentários para quê?

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Aumento do IVA na alimentação e bebidas vai encerrar 21 mil empresas.

O aumento do IVA no sector da alimentação e bebidas de 13 para 23 por cento irá levar ao encerramento de 21.000 empresas e à perda de 47.000 postos de trabalho, disse hoje a associação do sector.

Destak/Lusa | destak@destak.pt

A Associação de Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) afirmou hoje, em conferência de imprensa em Lisboa, que este aumento irá trazer “uma significativa diminuição das receitas fiscais, causando o efeito inverso desejado pelo governo”.

O secretário-geral da AHRESP, José Manuel Esteves, prognosticou que o Estado, com a tributação do IVA a 23 por cento, “irá perder mais de 700 milhões de euros” e explicou: “Haverá aumento do desemprego, logo mais pessoas a recorrerem ao respectivo subsídio, acrescidos encargos para a Segurança Social, além da significativa diminuição das receitas fiscais”.

O responsável prometeu que a AHRESP irá “monitorizar” a situação e explicou que em termos fiscais a maior receita do Estado surge da empregabilidade (82,6 por cento) enquanto do IVA arrecada 14,9 por cento.

A AHRESP referiu ainda que o sector do turismo, “um dos mais dinamizadores da economia nacional, irá ser fortemente, prejudicado ao colocar Portugal no top cinco dos países da zona euro com mais elevada taxa de IVA no sector da alimentação e bebidas”.

O presidente da Associação, Mário Pereira Gonçalves, afirmou que esta é “uma inacreditável ameaça” que corresponde “a um aumento directo de IVA de 77 por cento”.

O responsável referiu ainda que este aumento “será um incentivo à economia paralela e à evasão fiscal”.

Segundo Mário Pereira Gonçalves, tal só se justifica pela “inexperiência, cegueira e imprevidência do governo”.

A AHRESP avaliou que Portugal, no turismo, irá perder face a concorrentes como Espanha e França que praticam, respectivamente, taxas de IVA de oito e sete por cento.

“A Irlanda, também intervencionada pelo FMI, desceu o IVA para a taxa média de nove por cento”, afirmou.

“Os portugueses vão pensar em ir passar férias à vizinha Espanha, pois fica mais barato”, disse José Manuel Esteves.

Segundo aquele responsável, o sector da restauração é responsável de 45,4 por cento do total da Conta Satélite do Turismo, seguindo-se o alojamento com 18,7 por cento, e em muito lugar estão os serviços 0,6 por cento.

A maioria parlamentar, constituída pelo PSD e pelo CDS, aprovou hoje o aumento do IVA na restauração, entre muitos outros produtos, que deixa de estar sujeito a uma taxa de 13 por cento, passando para 23 por cento, com votos contra de toda a oposição.

Nota: mais uma das medidas "troikanas"...

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Risco de Espanha continua a aumentar e já ultrapassou o de Itália


O risco da dívida espanhola, medido pelo diferencial face aos títulos alemães a 10 anos, ultrapassou hoje o da dívida italiana, marcando um novo máximo histórico de 525 pontos base.

Destak/Lusa | destak@destak.pt

Com o rendimento dos títulos espanhóis a 10 anos a atingir os 6,887 por cento, analistas destacam o facto dos mercados terem ?limpo' a diferença que existia face aos títulos italianos, chegando a ultrapassá-los.

Duas horas depois da abertura dos mercados secundários da dívida, o risco de Espanha tinha subido 20 pontos, para 525, ultrapassando os 503 pontos base que registava a dívida italiana.

Já na quinta-feira o risco espanhol ultrapassou os 500 pontos base, tendo baixado para fechar em cerca de 460 devido a compras do BCE.

A tensão evidenciou-se no leilão de quinta-feira em que o Tesouro espanhol colocou títulos a 10 anos ao valor mais elevado de sempre, uma taxa de juro de mais de 7 por cento.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

O bom aluno


Lembram-se quando Durão Barroso queria ser o bom aluno da Europa? Parece que a bonomia de Guterres teria descontrolado as finanças, mas Durão e Santana Lopes, sempre à deriva, não fizeram melhor. O exemplo do bom aluno era Cavaco. Usou o dinheiro que os professores lhe deram para destruir a agricultura e as pescas, em troca dos jeeps todo o terreno e dos novos automóveis para os quais mandou construir auto-estradas. Isto para já não falar das universidades de papel e lápis e do suporte financeiro dos seus amigos, o BPN.

Sócrates e o seu ministro Teixeira dos Santos, apesar de rebeldes e de tentarem seduzir uma professora alemã, também foram bons alunos. Promoveram a Ciência e reduziram o défice para menos de 3%. Mas depois veio a crise do subprime e os professores da Europa, inspirados pelo velho plano Marshall, mandaram os países endividarem-se. E assim fizeram os bons alunos. A seguir, porém, dívidas contraídas, os professores da Europa deram-se conta de que estavam numa economia global governada por mercados usurários e mudaram de teoria: mandaram apertar o cinto.

Hoje, os professores da Europa já não se entendem, e os seus alunos não sabem por onde estudar. Por exemplo, o nosso Primeiro, que se acha o melhor aluno e quer ir além dos mestres, em vez de apertar o cinto na barriga, apertou-o no pescoço. E, ironia do destino, também Durão Barroso já é professor da Europa. Defende a taxa Tobin e os eurobonds. O problema é que ninguém lhe liga.

J.L. Pio Abreu

Imagem retirada do blog "We Have Kaos in the Garden".

terça-feira, 12 de abril de 2011

Porque será?


Portugal regista má "performance" em desemprego, corrupção e desigualdade salarial.

12 | 04 | 2011 12.48H

A pobreza diminuiu em Portugal nas últimas duas décadas mas o país mantém indicadores negativos em termos de corrupção, desemprego e desigualdade salarial, refere um relatório apresentado hoje em Paris.

Destak/Lusa | destak@destak.pt

Apesar do aumento do rendimento real, Portugal está ainda abaixo da média dos países da OCCE em termos de rendimento médio disponível por família, com 13 mil dólares anuais (cerca de 9 mil euros), equivalente ao da República Checa e apenas superior a alguns países do Leste europeu e do Chile, Turquia e México.

Portugal continua também com um indicador de pobreza superior ao do conjunto dos membros da OCDE, medido pela percentagem de pessoas que vivem com menos de metade do rendimento médio familiar (13,6 por cento em Portugal, 11,5 por cento para o conjunto da OCDE).

O desemprego é um dos indicadores em que Portugal ocupa o patamar inferior entre os países da OCDE, tendo registado um aumento de 1,5 por cento (de 10 para 11,5 por cento) entre 2007 e 2009.

O aumento do desemprego em Portugal nesses anos foi, no entanto, inferior à variação registada no espaço da OCDE.

No quadro geral da situação social, que leva em conta 17 indicadores diferentes, Portugal não obtém em relação a nenhum deles um resultado que o posicione no grupo dos melhores (ou seja, nos dois décimos da amostra com melhor notação), situando-se num dos seus níveis intermédios ou nos dois níveis inferiores.

Quanto a estes últimos, é no índex da corrupção, na percentagem do desemprego e na desigualdade de rendimentos que Portugal aparece nos dois décimos inferiores da amostra da OCDE.

O “outlook” da OCDE para 2011 assinala que o trabalho não remunerado “responde por um terço do produto interno bruto do conjunto de países da OCDE”.

Outra tendência sublinhada pelo relatório é que “os jovens são mais expostos a contratos temporários”.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Políticos foram os maiores culpados.

Políticos foram os maiores culpados – Vítor Bento

04 | 04 | 2011 08.58H

Os políticos são os principais culpados da atual crise económica internacional, porque criaram as condições para ela se instalar, disse o economista e conselheiro de Estado, Vítor Bento, em entrevista à agência Lusa.

Destak/Lusa | destak@destak.pt

Vítor Bento, que apresentou recentemente o livro “Economia, Moral e Política”, publicado pela Fundação Francisco Soares dos Santos, considerou que a crise resultou de uma crise de valores morais, mas que os políticos falharam nas escolhas que fizeram.

“No livro olhei para a crise internacional não apenas do ponto de vista estritamente económico, mas enquanto erupção de uma crise de valores da própria sociedade. Há muitos fatores que contribuíram, mas uma delas é o facto de hoje vivermos numa sociedade onde os valores materiais são a referência comum, que quase toda a gente subscreve”, afirmou.

O economista considerou que, no caminho para a crise, uns têm mais culpa do que outros, destacando neste grupo de maiores culpados, “políticos, banqueiros, gestores em geral”, que tinham a obrigação de saber que as escolhas que faziam “conduziriam a caminhos errados”, além da obrigação de limitar a possibilidade dos indivíduos fazerem escolhas erradas.

“Em última instância, os políticos têm sempre mais culpas, porque têm a obrigação de gerir a casa comum, de ver melhor e mais longe. Enquanto os outros elementos privilegiam muito o seu interesse particular, os políticos têm a obrigação de colocar o interesse comum acima de tudo, de estar no cimo da torre com uma visão mais ampla e, portanto, limitar os estragos que os interesses particulares possam fazer”, afirmou.

“Os políticos que aparentemente surgem agora como quem tem que limpar a sujidade feita pela crise, foram grandes responsáveis na criação das condições que levaram à crise”, acrescentou.

Garantindo que não quer assumir o papel de juiz, “e muito menos de juiz da moralidade”, Vítor Bento disse que o livro que agora lançou é uma forma de arrumar as ideias, de “estruturar o conhecimento” num processo próprio de aprendizagem e reflexão sobre a relação entre a economia, a moral e a política.

“A forma de regulação económica, em si, é amoral, mas o comportamento das pessoas não é. Essa é que é grande questão. Não é a economia que se deteriora, é o quadro de moralidade de uma sociedade que aceita comportamentos que, de outra forma, não teria aceite”, defendeu.

“Quando a economia leva por maus caminhos, é porque o quadro de moralidade permite esses caminhos”, disse ainda o professor de economia.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Quem te avisa... teu inimigo é!...


O líder do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, advertiu hoje em Bruxelas que as metas de défice até 2013, com as quais Portugal se comprometeu, são para cumprir, qualquer que seja o próximo Governo, tendo disso dado conta ao líder do PSD.

Destak/Lusa | destak@destak.pt

Juncker indicou que num encontro mantido na quinta-feira com “o líder da oposição portuguesa”, Pedro Passos Coelho, à margem da cimeira do Partido Popular Europeu (PPE), lhe disse que Portugal precisa mesmo de fazer “esforços suplementares” de consolidação orçamental, tendo recebido do presidente do PSD a garantia de que se o seu partido for Governo manter-se-á comprometido com os objetivos traçados.

O presidente do Eurogrupo sublinhou que também o primeiro-ministro José Sócrates deu essa garantia aos seus parceiros durante o Conselho Europeu, afirmando que as metas de défice e de consolidação das finanças públicas portuguesas serão respeitadas qualquer que seja o desfecho da atual crise política.

No final do primeiro dia de cimeira de chefes de Estado e de Governo da União Europeia, Juncker disse que se falou “obviamente dos acontecimentos recentes em Portugal”, garantiu que não se discutiu, “de forma alguma”, a possibilidade de o país recorrer de imediato ao fundo de resgate, mas indicou que foi transmitida uma mensagem muito clara a Portugal.

“Deixámos perfeitamente claro que quem quer que esteja no próximo Governo português terá que apresentar resultados em termos de consolidação orçamental”, disse, apontando que o que está em causa “não depende de partidos ou da composição do Governo”, mas sim de “um acordo entre a Zona Euro e Portugal”.

O presidente do fórum que reúne os países-membros da Zona Euro revelou que também deixou “perfeitamente clara” essa mensagem na conversa com Passos Coelho.

“Todos os partidos relevantes em Portugal sabem, e têm que saber, que somos muito exigentes quanto ao cumprimento dos objetivos e metas definidos em comum”, disse.

quinta-feira, 3 de março de 2011

"Geração à Rasca" já mobiliza mais de 37 mil e estende-se a 7 cidades


Mais de 37 mil pessoas confirmaram até hoje, no Facebook, a participação no Protesto Geração à Rasca, agendado para 12 de março em Lisboa e Porto, mas que já se estendeu a Viseu, Leiria, Faro, Funchal e Ponta Delgada.

Destak/Lusa | destak@destak.pt

Na página do Facebook da iniciativa, o apelo é lançado aos “desempregados, ‘quinhentoseuristas’ e outros mal remunerados, escravos disfarçados, subcontratados, contratados a prazo, falsos trabalhadores independentes, trabalhadores intermitentes, estagiários, bolseiros, trabalhadores-estudantes, estudantes, mães, pais e filhos de Portugal!”.

Paula Gil, uma das organizadoras, não esconde o seu espanto pela enorme adesão que teve a iniciativa, que começou por ser uma ideia de quatro amigos, mas explica-a de forma muito simples: “a precariedade é transversal e afeta muita gente”.

A ideia partiu de uma conversa entre quatro amigos, que estavam a debater a situação do país e que, sabendo que havia muita gente na sua situação, se lembraram de criar uma página na rede social Facebook a apelar para um protesto, explicou à Lusa Paula Gil.

“Nunca pensámos ter um crescimento tão grande em tão pouco tempo. Ao fim de alguns dias, tínhamos 800 inscrições, de várias pessoas que nenhum de nós conhecia”, afirmou.

Mas as proporções que assumiu a iniciativa dos jovens foi tal que acabou por sair do seu domínio e aquilo que seria um protesto simultâneo na Avenida da Liberdade, em Lisboa, e na Praça da Batalha, no Porto, já se estendeu a Viseu, Leiria, Faro, Funchal e Ponta Delgada.

“Pelo menos esta é a informação que nos tem chegado. Fomos recebendo contactos destas cidades e embora não sejamos nós a organizar o protesto nas outras cidades, acredito que vai haver adesão”, disse Paula Gil.

A página foi criada por João Labrincha, com a participação de Paula Gil, Alexandre de Sousa Carvalho e António Frazão.

O protesto, que se afirma “apartidário, laico e pacífico”, reclama o direito ao emprego e à educação, a melhoria das condições de trabalho e o fim da precariedade, pelo “reconhecimento das qualificações, competência e experiência, espelhado em contratos e salários dignos”.

Quanto a expetativas de participação no evento, Paula Gil reconhece que não pode elaborar previsões com base no Facebook, mas tem “esperança que a adesão seja tão grande ou maior do que o número de inscrições”.

Segundo a organizadora, a autorização para o protesto já foi pedida ao Governo Civil.

Questionada sobre as mudanças que os organizadores esperam poder vir a operar no país com este “Protesto da Geração à Rasca”, Paula Gil responde: “temos esperança de colocar, ainda mais do que já colocámos, o tema na agenda política e que se perceba que as soluções partem de uma concertação social entre todos, incluindo nós”.

Na página do protesto, no Facebook, é pedido aos manifestantes que levem uma folha A4 com “o motivo da presença e uma solução”, para depois ser entregue na Assembleia da República.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Dez mil mortos na Líbia, estima membro do Tribunal Penal Internacional


Pelo menos dez mil pessoas morreram na Líbia desde o início da contestação popular ao regime de Muammar Kadhafi em 15 de fevereiro, disse hoje o membro líbio do Tribunal Penal Internacional, Sayed al Shanuka.

Em declarações à televisão Al Arabiya, a partir de Paris, o Presidente da Comissão de Justiça e Democracia do Tribunal adiantou que os feridos podem rondar os 50.000.

Al Shanuka sublinhou que «nestes regimes ditatorais o povo não se pode manifestar», mas acrescentou que «o povo líbio, como a maioria dos povos árabes, sofreu, mas teve oportunidade de se rebelar».

Lembrou que «desde que Kadhafi chegou ao poder, assassinou milhares de pessoas e também milhares de presos».

O governo líbio afirmou na terça-feira à noite que pelo menos 300 pessoas morreram nos distúrbios que abalam a Líbia nos últimos dias.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Boaventura Sousa Santos:“este projeto europeu faliu”


O sociólogo Boaventura Sousa Santos negou hoje que os portugueses sejam “lascivos, preguiçosos e indolentes”, uma classificação que disse radicar num “preconceito histórico”.

Trata-se de “estereótipos que se criaram sobre a sociedade portuguesa”, disse Boaventura Sousa Santos, na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC).

Associando o actual “momento muito difícil” por que passa o país, no plano económico-financeiro, ao “modo como a própria União Europeia tratou a questão do euro”, defendeu que “Portugal tem futuro, não é um país sem alternativa”.

Boaventura Sousa Santos falava aos jornalistas, à margem do colóquio internacional "Portugal entre desassossegos e desafios", organizado pelo Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra, do qual é director.

O catedrático jubilado da FEUC recusa-se “totalmente a ser cúmplice dessas críticas” a Portugal, “lamúrias sarcásticas que surgem hoje na comunicação social”.

“Hoje tudo é feito de um preconceito histórico, como se os portugueses fossem lascivos, preguiçosos e indolentes, mas não é isso que se passa”, disse.

O sociólogo realçou que “Portugal tem uma história que contribuiu para o que a Europa é hoje”, acrescentou.

Na sua opinião, “este projeto europeu faliu”, sendo necessário transformar a União Europeia, em cuja construção “o que contou foi a economia”, num “projecto mais próximo da realidade dos cidadãos”.

Quando os negócios “não vão bem para os mais ricos, eles viram-se contra os mais pobres”, enfatizou.

“Não tenho esperança que com estes líderes a Europa vá encontrar algum futuro”, opinou.

Boaventura Sousa Santos vaticinou que “os portugueses vão superar” as atuais dificuldades, lamentando que a crise europeia e global esteja “a ser resolvida por quem a criou”.

A conferência inaugural do colóquio internacional, que termina na sexta-feira, foi proferida pela escritora Hélia Correia.

“O imaginário sem norte” é o título da conferência, em que Hélia Correia aborda o que designa como “doença portuguesa”, em que “a saudade surge como o sentimento mais visível e exuberante”.

Outro dos oradores foi o presidente da Associação Portuguesa de Sociologia, Manuel Carlos Silva, que denunciou “os riscos relacionados com a utilização instrumental da sociologia ao sabor das conveniências políticas dos detentores do poder a nível nacional, regional e local”.

Criticou também “as tendências de empresarialização e gestão privada de instituições, nomeadamente universidades, cujo desenlace pode ser a desvalorização ou menorização das ciências sociais e humanas”.