
sábado, 8 de setembro de 2012
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
É a natureza das coisas, estúpido!

O SR.MINISTRO da Educação lançou as bases da condenação ao ensino profissional de todos os alunos que chumbarem no básico.
Independentemente do facto de não o ter feito de forma deliberada. Nem terminante.
Qualquer assessor lhe dirá, porém, que, do ponto de vista de imagem, de apreensão pública, de sensibilidade de opinião pública, pais, alunos, professores, televisões, jornais, rádios, net, é o que acaba de fazer.
Não que não haja qualidade, dignidade e honra no ensino profissional. Não que o país não precise desse ensino e desses alunos. Mas que é assim que o sr. ministro da Educação deixa que as coisas sejam apresentadas. Em termos de ameaça velada. E de implícita pedagogia classista. Não é por acaso que a memória empresarial mais dilatada, aquela que não dizia “margem sul”, que dizia, directamente, “CUF”, ainda hoje evoca, a propósito, o para ela tempo de ouro das escolas industriais e comerciais.
Somos todos livres, pais e escolas. E até, essencialmente, alunos. E estamos todos a evoluir, os alunos a uma velocidade talvez maior. E mais festiva. Não temos de esperar, dentro de um frasco, que nos trasfeguem. Ou, como canta Manu Chao, El presente es siempre diferente!
Isto de as dificuldades de aprendizagem, o desaproveitamento escolar, os chumbos constituírem uma tempestade a encher, um furacão a passar do grau 1 para o grau 2 e do grau 2 para o grau 3, tudo isto a crescer e a enegrecer perante os alunos e as famílias, é insuportável.
Os alunos e os pais têm de ter - independentemente da seriedade do trabalho escolar, dos resultados justos, das classificações verdadeiras, dos não-facilitismos - sempre abertos todos os caminhos de decisão. Não apenas o caminho das pedras. Todos os caminhos. De outra forma, estamos a shrinkar cabeças. A converter as salas de aulas em caixas de sapatos. A transformar as classificações em cadastros, daqueles antigos. A indignificar o papel dos professores. A indignificar o papel das escolas.
Dir-se-á que se trata de um projecto-piloto. Dir-se-á depois que tudo é reversível.
Porque - e aqui entra-se numa floresta apertada, num jardim de muitos enganos prováveis, de muitos recuos e de muitos comunicados - parece que cada escola escolhe as 3 profissões que os alunos deverão aprender durante os 3 anos do 3º Ciclo. Porque as áreas fundamentais parece que são a agricultura e a indústria. Porque parece que tudo ou quase tudo envolve um acordo com o tecido empresarial da zona da escola. Porque parece que há um equilíbrio entre, por um lado o Português, a Matemática e o Inglês, e por outro 3 ofícios práticos, que podem ser o de cozinheiro, o de talhante, o de mecânico, o de electricista, o de canalizador e o de produtor agrícola. Porque parece que há equipas de acompanhamento e orientação permanentemente a zelar. Porque no final de cada ciclo (9º ou 12.º) parece que os alunos podem mudar para a via regular de ensino (desde que façam as provas ou exames requeridos). Dir-se-á, insistir-se-á, que tudo é reversível.
Responde-se que, nestes termos, e essencialmente, nada é reversível, nada é totalmente reversível porque o mal está feito. Não todo, mas muito. A confusão está instalada. A ameaça está desenhada. O medo está inoculado. A partir daqui, é sempre a andar, para trás!
Somos todos, pais, escolas, alunos, livres. O sr. ministro da Educação não é, porém, livre de não ser inteligente e minimamente sensível. Devendo acrescentar-se que o sr. ministro também é ministro da Ciência. O que aumenta, e não pouco, como ele sabe, na matéria, a sua responsabilidade. E isto, se o Prof. Nuno Crato perceber bem, é uma palavra de consideração por ele.
Sinceramente preferia que o Prof. Nuno Crato não tivesse de ir, nos tempos mais próximos, fazer uma viagem a Timor.
* Em memória da frase feita “É a Economia, estúpido!”
Artur Portela
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
As brincadeiras com o dinheiro dos outros.

As empresas públicas resolveram brincar às engenharias financeiras e abriram um buraco financeiro que, se tiver de ser tapado, é superior à derrapagem deste ano do défice público. Alguém vai ser responsabilizado? Não.
As empresas públicas resolveram brincar às engenharias financeiras e abriram um buraco financeiro que, se tiver de ser tapado, é superior à derrapagem deste ano do défice público. Alguém vai ser responsabilizado? Não.
Ser gestor público sempre foi uma das melhores profissões em Portugal. São inimputáveis. A esmagadora maioria ganha bem e não é responsabilizado pelas decisões que toma. Já sabíamos que era impossível apontar-lhes o dedo por má gestão porque os governos não cumpriam a sua parte em matéria de transferências, a tempo e horas, das indemnizações compensatórias. Agora, com o que foi divulgado nas contas do segundo trimestre das empresas públicas, ficámos a saber que também são desresponsabilizados quando resolvem jogar nos mercados financeiros dinheiro que é dos contribuintes.
Como revela o Negócios, as empresas do sector empresarial do Estado realizaram um conjunto de contratos de derivados financeiros, avaliados em 16 mil milhões de euros – quase dez por cento do PIB – que em Junho registavam perdas potenciais de cerca de 2,5 mil milhões de euros, ou seja, quase 16% do valor dos contratos. A esmagadora maioria dessas perdas estão em duas empresas: o Metro de Lisboa e o Metro do Porto. E boa parte dos contratos foram assinados pouco depois de se ter desencadeado a crise, em 2008, e tinham como objectivo proteger a empresa do que os gestores da altura consideraram ser um risco de subida da taxa de juro. Como as taxas de juro desceram, em vez de subirem, como antecipavam os gestores, neste momento têm de pagar aos bancos a diferença e, no fim do contrato, poderão ter de registar as perdas remanescentes. Mas, além desses contratos, há outros que são puras aplicações e aumentam o risco a que as empresas estão expostas.
Dir-se-á que os gestores que se protegeram da subida de taxas de juro foram até bastante meticulosos. Tomaram decisões para minimizar os encargos financeiros adicionais que teriam se as taxas de juro subissem. O que tiveram foi azar, as taxas desceram em vez de subiram. E é quando usamos a expressão "azar" que a questão se clarifica. Um gestor público, que está ali a provisionar a prestação de bens ou serviços públicos, com dinheiro dos contribuintes, não tem (ou não deve ter) legitimidade para tomar decisões cujos resultados dependem de ter sorte ou azar. Além disso, não existem nessas empresas competências que garantam decisões tecnicamente fundamentadas. Como consequência, as decisões de comprar ou não um derivado financeiro terá sido basicamente ditada pelo conselho de bancos de investimento que, além do incentivo de venda, se revelaram altamente tóxicos.
Num artigo publicado no "Diário Económico" em finais de Julho, Vítor Bento comparava as operações com instrumentos financeiros realizadas pelos gestores públicos com uma ida ao casino para demonstrar que iríamos condenar mais este último comportamento, quando na prática os dois são equivalentes.
Com as recentes alterações legislativas, quem passa a gerir a carteira desses produtos financeiros é o Instituto de Gestão do Crédito Público. Será o IGCP a decidir se os contratos com os produtos sofisticados se mantêm até ao fim da vida ou se são denunciados, tudo dependendo do que custar cada uma das decisões.
Quem vai pagar esta brincadeira dos gestores públicos? Todos nós, contribuintes, claro está. São mais uns mil milhões que se somam a muitos outros mil milhões. Responsáveis? Não há.
Crónica de Helena Garrido
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
Ministério Público diz que não há indícios contra Paulo Portas.

Cândida Almeida, directora do DCIAP, informou hoje o líder do CDS/PP que não foram "recolhidos indícios da prática de ilícito de natureza criminal" por parte de Paulo Portas "no processo dos submarinos", num documento a que a Lusa teve acesso.
"Em resposta à solicitação, o DCIAP informa que o chamado 'processo dos submarinos' tem a sua investigação aberta contra desconhecidos, não tendo sido recolhidos indícios da prática de ilícito de natureza criminal por parte de V. Exa (Paulo Portas)", escreveu Cândida Almeida directora do Departamento Central de Investigação e Acção Penal no documento enviado hoje ao ministro dos Negócios Estrangeiros que cumpre uma deslocação ao Brasil.
Nota: Como era de prever não vão existir culpados. Até porque a justiça só funciona para o povo...





