segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Fotos da Manifestação de 12/Nov - Função Pública







17 novas famílias por dia pedem ajuda para comer


A Cáritas está a ficar sem capacidade para responder ao crescente número de pedidos.

O aumento do desemprego, a perda de subsídios, a subida das rendas de habitação e a precariedade laboral são as principais razões que colocam cada vez mais portugueses em dificuldade e a necessitar do apoio de instituições de solidariedade social.

Segundo os dados só da Cáritas Portuguesa, desde o início do ano já foram ajuda- dos mais de 28 mil agregados familiares, correspondentes a 66 525 pessoas. No mesmo período foram recebidas inscrições de 4645 novas famílias (média de 516 por mês), equivalentes a 12 535 novas pessoas apoiadas (1392 por mês). E, no terreno, constata-se que o perfil daqueles que pedem apoio está a mudar rapidamente.

Nota: E Ainda a procissão vai no adro...

sábado, 12 de novembro de 2011

Milhares marcham em Lisboa contra medidas do Governo


A manifestação foi marcada pelas três estruturas sindicais da função pública, mas muitos outros sindicatos juntaram-se à jornada de protesto.
O congelamento salarial de 2010, o corte médio de 5% deste ano, os cortes dos subsídios de férias e de Natal, a colocação de trabalhadores em mobilidade especial e as regras de aposentação são os principais motivos do protesto.
Bandeiras de várias cores, balões e cartazes contra o Executivo de Passos Coelho marcam a manifestação. “Juventude diz não à exploração”, “Queremos trabalho com direitos” e “Contra a ofensiva do Governo”, são algumas das frases que se podem ler nos cartazes.
A Frente Comum dos Sindicatos da Administração Pública (CGTP), a Frente Sindical da Administração Pública (UGT) e o Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado decidiram unir-se no protesto e sair para a rua em conjunto, como não acontecia há vários anos.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Mais de 85% dos portugueses foram afectados pela crise


Mais de 85% dos portugueses estão a sentir o efeito da crise económica, dos quais metade com um impacto "muito significativo", revela hoje o eurobarómetro "Os europeus e a crise", encomendado pelo Parlamento Europeu.

Quase metade (45%) dos cidadãos da União Europeia (UE) a 27 conhece alguém que perdeu o emprego devido à crise. Em Portugal, 38% dos inquiridos disse conhecer pessoas que ficaram desempregadas como consequência direta da crise.

Mais de um quinto dos europeus afirma ter um familiar que perdeu o emprego. Em Portugal, esta percentagem sobe para 28 %. Mas, em 18% dos casos a perda do emprego aconteceu com os próprios ou com o parceiro (na UE a 27 é de 12 por cento).

O estudo adianta que cerca de dois terços dos inquiridos consideram que "a crise vai durar muitos anos" e ninguém concorda com a ideia que Portugal "já está a regressar ao crescimento", contrariamente ao que acham 8% dos europeus.

Nota:

E mesmo assim as "Centrais Sindicais" ainda andam a negociar. Melhor dizendo... andam a fingir que negoceiam. A isto se chama: "Contra-Revolução"...

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Otelo admite novo golpe militar em Portugal


Otelo diz que os militares devem reagir se forem ultrapassados os limites
(Rui Gaudêncio)


"Para mim, a manifestação dos militares deve ser, ultrapassados os limites, fazer uma operação militar e derrubar o Governo", defendeu Otelo, em entrevista à Agência Lusa, num comentário à “manifestação da família militar”, no sábado, em Lisboa.

“Não gosto de militares fardados a manifestarem-se na rua. Os militares têm um poder e uma força e não é em manifestações colectivas que devem pedir e exigir coisas”, disse.

Mas diz compreender as suas razões e considera que as mesmas podem conduzir a “um novo 25 de Abril”.

“Os militares têm a tendência para estabelecer um determinado limite à actuação da classe política”. Esse limite, considerou, foi ultrapassado em 1974 e culminou com a “revolução dos cravos".

Hoje, Portugal está “a atingir o limite”, disse, corroborando o que há seis meses dissera à Lusa: “Se soubesse o que sei hoje não teria possivelmente feito o 25 de Abril”.

O coronel na reserva acredita que há condições para os militares tomarem o poder e vai mais longe: “bastam 800 homens”.

Em comparação com o golpe de 1974 – do qual afirma ser um “orgulhoso protagonista” –, Otelo considera que um próximo seria até mais fácil, pois “há menos quartéis, logo menos hipóteses de existirem inimigos” da revolução.

Questionado sobre a real possibilidade dos militares tomarem o poder, como há 37 anos, Otelo responde peremptório: “Não tenho dúvida nenhuma que sim”.

“Os militares têm sempre essa capacidade, porque têm armas. É o último bastião do poder instituído”, afirmou.

“Estou convicto que, em qualquer altura, se os militares estiverem dispostos a isso, podem avançar sempre para uma tomada de poder”, adiantou.

O estratega do golpe do 25 de Abril faz uma análise crítica dos últimos 37 anos: “Se eu adivinhasse que o país ia gerar uma classe política igual à que está no poder, e que está a passar a certidão de óbito ao 25 de abril, eu não teria assumido a responsabilidade de dar essa alvorada de esperança ao povo”.

“Estabelecemos com o povo português um compromisso muito forte que era o de criar condições para um acesso a nível cultural, social e económico de um povo que tinha vivido 48 anos debaixo de ditadura”, acrescentou.

“Assumimos esse compromisso, não o cumprimos e não o estamos a cumprir porque entregámos o poder a uma classe política que, desde o 25 de Abril, tem vindo a piorar”, afirmou.

Otelo considera mesmo que, à medida que o tempo corre, tem-se registado “um retrocesso enorme”.

“Gozamos da liberdade de reunião, de manifestação e de expressão, mas começa a haver um caminho para trás”, frisou.

Para Otelo Saraiva de Carvalho, a revolução “está agonizante” e há quem disso beneficie.

“A classe política – sobretudo o que podemos abstractamente chamar de direita – está a retomar subtilmente tudo aquilo que eram as suas prerrogativas antes do 25 de Abril e a passar a certidão de óbito" à revolução.

“A minha mágoa é essa”, adiantou, sem esconder o pessimismo em relação ao futuro: “Perdemos o compasso da história”.

As associações sócio-profissionais de militares têm marcada para sábado uma concentração nacional em protesto contra as "medidas duríssimas" apresentadas pelo Governo na proposta do Orçamento para 2012, nomeadamente a redução de remunerações e pensões, cortes nos subsídios de férias e de Natal e o aumento generalizado dos impostos.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Tectos salariais são "convite à mediocridade"


O presidente do grupo Jerónimo Martins, Alexandre Soares dos Santos, disse que estabelecer tectos salariais aos gestores públicos é "pedir aos incompetentes para ocuparem os cargos", considerando ser "um convite à mediocridade".

"Um presidente da Caixa Geral de Depósitos a ganhar cinco mil euros é um convite à mediocridade e um convite a outros esquemas que existem em Portugal há muitos anos", afirmou Alexandre Soares dos Santos no jantar debate promovido, na terça-feira, pela Associação Portuguesa de Gestão e Engenharia Industrial (APGEI), no Porto.

Questionado por um empresário sobre o sistema remuneratório dos gestores públicos, o empresário admitiu não perceber a decisão de os dirigentes de empresas públicas terem os salários indexados ao do Presidente da República: "Não percebo a decisão de se ter que ganhar menos que o Presidente da República, porque o Presidente da República não faz nada".

Nota:

Sr. Alexandre Soares dos Santos! Com tantos gerentes a ganharem bem mais do que o Presidente da República não tenho visto, ao longo destes anos que já passaram, que o país esteja melhor.

Na sua opinião é um convite à mediocricidade. Pelo que me é dado observar a mediocricidade continua... apesar de auferirem ordenados "bem chorudos". Ou não é isto verdade? (estou a falar na generalidade e não num ou outro caso que foge à regra...).


Os "piratas do ar" portugueses que fizeram tremer Salazar


Cinquenta anos depois do desvio de um avião que visava derrubar Salazar, alguns destes "piratas do ar" reúnem-se para assinalar a efeméride e tentar impedir que a sociedade esqueça a sua luta contra a ditadura.

O célebre desvio do Super-Constellation da TAP 'Mouzinho de Albuquerque' foi feito por meia dúzia de "resistentes", para quem era preciso fazer algo "em grande" que abrisse caminho à liberdade que não existia com Salazar no poder, como contaram à Lusa alguns dos autores do golpe.

Meio século depois, a iniciativa de tentar impedir que este episódio da história portuguesa seja esquecido é da Associação Promotora do Livre Pensamento (APLP).

O presidente da APLP, Luís Vaz, explicou à Agência Lusa os propósitos deste encontro, que decorrerá quinta-feira num restaurante em Lisboa: "Passar à juventude uma mensagem pedagógica sobre a importância deste acontecimento histórico".

"Sendo a APLP uma associação que pretende manter a memória viva sobre os acontecimentos históricos, não podíamos deixar de recordar este episódio e inseri-lo no contexto da luta anti-fascista", disse o historiador, autor de vários livros sobre o anti-fascista Hermínio da Palma Inácio.

O desvio foi protagonizado por Hermínio da Palma Inácio, um resistente que na altura era conhecido e perseguido pela polícia política.

Com ele alinharam Camilo Mortágua, João José Martins, Amândio Silva, Maria Helena Vidal e Fernando da Costa Vasconcelos.

Os "piratas do ar" embarcaram em Casablanca no avião, que fazia a rota Lisboa-Tanger-Casablanca-Lisboa, e obrigaram o comandante a sobrevoar Lisboa e outras cidades a baixa altitude para lançarem panfletos contra o regime de Salazar.

Os revolucionários regressaram a Marrocos, tendo posteriormente seguido para o Brasil.

Em Portugal, o regime acumulava mais esta fenda, a qual se seguiu ao desvio do paquete Santa Maria, que tinha ocorrido em janeiro desse ano.

"Este é um acontecimento que marca o início do fim do regime", explicou Luís Vaz, considerando que a sua lembrança é uma forma de mostrar à juventude que, "mesmo sem emprego e numa ditadura económica, é possível ter energias para o combate".

Para o historiador, hoje em dia "não há uma ditadura, mas sim ditaduras psicológicas".

"A juventude é criativa e vai saber atuar, não nestes moldes, mas saberá como resistir", disse.