quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Elias - O sem abrigo

O regresso da Velha Senhora.


A Antena 1 acabou com a rubrica de opinião "Este Tempo" após, numa crónica de Pedro Rosa Mendes, aí ter sido criticado o servilismo do Governo face ao regime corrupto de Luanda e o tipo de jornalismo que, pago a peso de oiro com dinheiros públicos, sabuja, sob o diáfano manto da "informação", cada poder do momento.

A decisão recorda-me episódios idênticos vividos no JN antes de 1974. Um em que uma crónica de Olga Vasconcelos sobre Indira Ghandi, filha de Nehru (que ordenara a invasão da "Índia Portuguesa"), levou à ordem de encerramento da rubrica onde fora publicada; e um outro que pôs fim ao Suplemento Literário dirigido por Nuno Teixeira Neves por aí não ter sido devidamente louvado um medíocre romance do escritor do regime Joaquim Paço d'Arcos. Os dois jornalistas só não foram despedidos porque tiveram o apoio do então director Pacheco de Miranda e, no primeiro caso, também do chefe de Redacção Costa Carvalho.

As personagens são agora outras, ou as mesmas com outros nomes, mas as semelhanças são inquietantes (só não há na Antena 1 Pachecos de Miranda nem Costas Carvalhos). E vivemos, diz-se, em democracia, regime em que a Velha Senhora, a Censura, não tem, diz-se, lugar.

Mas por algum motivo 64,6% dos portugueses estão hoje, segundo o "Barómetro da Qualidade da Democracia" apresentado há dias, insatisfeitos com a democracia que temos, quando em 1999 mais de 80% a consideravam "boa" ou "muito boa".

Crónica de: António Pina

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

A nova vigarice.


A originalidade dos governantes na tentativa de empregarem o maior número possível de boys sem o povo dar por isso não para de aumentar. A mais vulgar é simplesmente não colocar os nomes na páginas feita para iludir os mais distraídos. Mas isso tem um problema, como os nomes sairam no Diário da República pode haver algum teimoso a fazer comparações. Então, alguns espertalhões como o Relvas iludiram o site do governo e o DR inventando adjudicações, deixam de contratar funcionários para fazerem adjudicações por serviços.

A grande vantagem é que ninguém dá por eles e desta forma o Relvas pode pagar a um motorista como se ele fosse piloto de provas no autódromo do Estoril. Esta gente campeã da austeridade não para de gozar com o povo...

Nota: Está na hora?

Pedro Rosa Mendes: “Duvido que quem vive dobrado em democracia se endireite em tempos difíceis” .


O escritor e jornalista Pedro Rosa Mendes acabou a sua colaboração com a Antena 1, numa crónica emitida nesta quarta-feira de manhã, com declarado repúdio ao que diz ser “uma sociedade asfixiada por valores do silêncio, da cobardia, do bajulamento”.

O fim do espaço de opinião "Este Tempo", naquela emissora da RDP, motivou acusações de censura de dois dos seus colaboradores: o próprio Pedro Rosa Mendes, que disse ao PÚBLICO ter sido informado que “a administração da casa não tinha gostado da última crónica sobre a RTP e Angola” – na qual o jornalista critica o programa Reencontro –, e de Raquel Freire, que denunciou pressões. O director-geral da RTP, Luís Marinho, assegura que a decisão de acabar com o programa “já estava tomada há algum tempo”. Quatro dos cinco cronistas disseram ao PÚBLICO que só na segunda-feira foram informados de que o programa sairía do ar (link, só para assinantes). Na terça-feira, a realizadora Raquel Freire usou o tempo de antena naquele espaço para falar sobre liberdade. Nesta quarta, Rosa Mendes dedica a primeira parte da sua crónica, de quase seis minutos (disponível aqui), ao livro de memórias recentemente editado em França do cineasta cambojano Rithy Panh, L'élimination [A eliminação], “documento histórico de grande intensidade”, para na segunda parte traçar um paralelo entre o regime dos Kmer Vermelhos e o Portugal dos nossos dias. “Rithy Panh conta-me o Camboja dos anos 1970 e o seu livro reenvia-me, uma e outra página, com uma força que me deixa sem pulso, para o Portugal do presente. Para um país, precisamente, onde quatro décadas de democracia produziram, afinal, uma sociedade asfixiada por valores do silêncio, da cobardia, do bajulamento e dessa gangrena da nossa pátria que é a inveja social”, diz. Continua Pedro Rosa Mendes: “Por junto, uma cultura mesquinha que quase sempre não há ninguém que diga aquilo que todos sabem, mas que todos devem calar. Uma terra onde, finalmente, se instalou o medo e uma noção puramente alimentar da dignidade individual. Traduza-se: ‘está caladinho, para guardares o trabalhinho’.” “Neste aspecto, em genocídio ou em democracia, os reflexos e os mecanismos são os mesmos. O rapazinho de 13 anos, por exemplo, conta como foi uma vez chamado pela directora das crianças lá no campo [de concentração]: ‘Camarada, tens de fazer a tua autocrítica. Ontem, contaste que homens chegaram à Lua e fizeste o elogio dos imperialistas americanos. São invenções. Mentiras. O teu comportamento é inaceitável. Traíste os teus camaradas. Estamos a ouvir-te.’ Retenho também um provérbio kmer, escrito numa frase isolada por Rithy Panh: ‘A verdade é um veneno’.” “Tenho para mim que as escolhas limite se fazem todos os dias, no nosso quotidiano, e duvido muito que quem vive de espinha dobrada em tempo de paz, em tempo feliz como é – já nos esquecemos – o tempo democrático, seja capaz de endireitar a espinha em tempos difíceis”, sustenta. A crónica fecha com um “bom dia e muito boa sorte”.

Nota: Na "mouche"!...

A culpa é sempre do outro...


Governo culpa Sócrates por desvio no 1º semestre 2011.

por lusa Hoje

O Partido Socialista, por seu lado, acusou hoje o Governo de "sobreorçamentação" da despesa no Orçamento do Estado para 2011 (OE2011). Entretanto, Morais Sarmento revela que o orçamento retificativo chega ao Parlamento até ao final de março.

A comissão parlamentar de Orçamento e Finanças está hoje reunida para ouvir o secretário de Estado do Orçamento, Luís Morais Sarmento, falar sobre a execução orçamental de 2011.

Numa sessão invulgarmente agitada, o deputado socialista João Galamba afirmou que os números divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e pela Direcção Geral do Orçamento (DGO) "põem em causa a narrativa deste Governo" quanto ao "desvio" na despesa na primeira metade de 2011.

Na sua apresentação, Morais Sarmento reiterou a projeção do Governo de que o défice orçamental para 2011 se vai situar nos 4 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), graças sobretudo a medidas como o imposto extraordinário sobre o subsídio de Natal ou a transferência dos fundos de pensões da banca. O secretário de Estado louvou a "notável" execução orçamental do final do ano que permitiu atingir este resultado, ideia fortemente contestada pelo PS.

"Em contabilidade nacional, não há qualquer desvio da despesa. O único desvio, diz o INE, é nas receitas não fiscais - a Madeira, o BPN, etc.", disse o socialista eleito por Santarém, acusando o Governo de, no orçamento retificativo para 2011, fazer uma "sobreorçamentação" da despesa de forma a imputar ao Executivo de José Sócrates um "desvio colossal" nas contas públicas.

"É o que o PS sempre disse. Toda a narrativa deste Governo de que teria havido despesismo no primeiro semestre está errada. Pedia que ou explicasse ou desmentisse os valores da DGO ou do INE", disse Galamba.

Nota: Estes argumentos são tão "patéticos" que até as criancinhas já não acreditam...

Juros da dívida portuguesa a cinco anos atinge recorde.


Os juros exigidos pelos investidores para comprar dívida portuguesa estavam hoje em máximos históricos a cinco anos situando-se nos 18,719% e subiam também em Espanha e em Itália na mesma maturidade.

Pelas 9:30 de Lisboa, os juros pedidos a Portugal no prazo dos dois anos negociavam-se no mercado secundário a subir para 14,590%, a cinco anos transaccionavam-se a 18,719% e a dez situavam-se nos 14,602%, face a terça-feira, de acordo com dados da agência de informação financeira Bloomberg.

Nota: E o (des)governo continua na mesma senda de "contar histórias a meninos"...

Situação dos emigrantes lusos na Suíça agrava-se de forma preocupante.


O número de pedidos de ajuda de emigrantes portugueses na Suíça que chegam às missões católicas tem vindo a aumentar no último ano devido à crise económica, disse, esta quarta-feira, o conselheiro das Comunidades Portuguesas, Manuel Beja.

"A situação dos emigrantes portugueses na Suíça está a agravar-se de forma preocupante nos últimos tempos por causa da crise económica", adiantou à agência Lusa Manuel Beja, salientando que além das missões católicas portuguesas também ele próprio tem recebido muitos pedidos de auxílio.

O coordenador nacional da Pastoral das Missões Católicas na Suíça, padre Aloísio Araújo, disse em declarações à Rádio Renascença que o número de pedidos de ajuda à Igreja aumentou "80 por cento nos últimos dois anos, havendo pessoas a dormir nas estações de comboios e nos abrigos comunais".

Contactado pela Lusa, o conselheiro das Comunidades Portuguesa na Suíça, Manuel Beja, realçou o "importante" trabalho das missões católicas junto dos portugueses em dificuldades.

"Temos famílias dependentes da assistência social na Suíça que estão a passar por problemas graves devido à perda de trabalho, problemas de carácter económico e temos um outro grupo que são as pessoas que estão a chegar ao país, candidatos à emigração que são na sua maioria jovens. Mas também temos famílias inteiras que se fizeram à estrada", disse.

No entender de Manuel Beja, as pessoas muitas vezes deslocam-se de "forma leviana", sem pensar nas dificuldades, sem contrato de trabalho e sem conhecer ninguém.

Nota: "Eles comem tudo e não deixam nada..."