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domingo, 9 de setembro de 2012

Portugal “afunda-se” na austeridade, diz El País.


O jornal descreve os cortes de salários líquidos no privado anunciados ontem por Passos Coelho e recorda que, “pela mão do primeiro-ministro, Portugal desempenhou sempre o papel de aluno exemplar perante a troika e os outros países europeus”, aceitando facilmente cortes nos salários, subidas nos impostos e cortes nos serviços públicos, e mostra-se céptico sobre os resultado do programa em vigor.

Num outro texto, recorda a conversa entre o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, e o ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, em que “um cândido Vítor Gaspar se aproxima” do seu homólogo “como um aluno trata um professor”.

Na ocasião, Gaspar disse: Faremos progressos substanciais com o défice; já fizemos progresso incríveis.” E obteve como resposta: “Se for necessário adequar o programa português, não haverá problema.” Terá chegado o momento? – questiona o correspondente de El País em Bruxelas

O jornal considera Portugal “mais troikista que a troika” e diz que este “duro ajustamento” resulta de um misto de ideologia e do desejo de demarcar-se da Grécia.

Nota: Toda a gente vê. Só o nosso PM não quer ver…

Análise de Paulo Trigo Pereira: medidas não resolvem a equidade.


Ver análise em:

sábado, 8 de setembro de 2012

BE desafia PS a esclarecer se vai romper com a troika e pondera moção de censura.


O Bloco de Esquerda desafiou neste sábado o PS a esclarecer se vai romper o seu apoio ao memorando da troika e se votará agora contra a proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2013. O partido admitiu também apoiar uma moção de censura ao Governo, recorrer ao Tribunal Constitucional contra as novas medidas de austeridade e apoiar greves gerais contra o “golpe de Estado económico” anunciado pelo primeiro-ministro.

Nota: Independentemente do resto quero ver o que Seguro vai fazer.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

O outono de todos os perigos.


Setembro será o mês de todos os medos”, adverte o jornal Público: "Depois da trégua estival, aproxima-se o outono e, com ele, o ‘tudo ou nada’ para a zona euro". Em antecipação de tudo isso, a semana que começa anuncia-se rica em danças diplomáticas:

O primeiro-ministro grego, Antonis Samaras, voa para Berlim e Paris para se encontrar com Merkel [24 de agosto] e Hollande [25 de agosto], depois de uma reunião prévia com o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker [22 de agosto, em Atenas]. O objetivo será persuadir os líderes europeus a estender por dois anos o prazo de ajustamento da Grécia. Merkel e Hollande também deverão encontrar-se nos próximos dias [23 de agosto, em Berlim]. Antes do final de agosto, é a vez do primeiro-ministro italiano Mario Monti se deslocar à Alemanha para um encontro com a Chanceler, que irá depois deslocar-se a Madrid [6 de setembro] para um encontro com o chefe de Governo, Mariano Rajoy.

Mas "setembro será um mês decisivo", explica o Público:

É nessa altura [dia 12] que o Tribunal Constitucional alemão decide se viabiliza ou não o fundo de resgate permanente do euro. E que a Grécia se arrisca a ficar sem dinheiro e irá renegociar o seu programa de ajuda, provavelmente exigindo mais tempo e mais fundos a um Norte europeu cada vez mais cético aos resgates e que vai, inclusive, a votos (no caso dos Países Baixos [as legislativas estão previstas para 12 de setembro]). A coroar o bolo, a zona euro tem de assegurar que os seus dois grandes dominós –a Espanha e a Itália –não caem, arrastando toda a região atrás de si.

Em 6 de setembro, com efeito, espera-se que o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi,

explique melhor como vai intervir nos mercados, a fim de reduzir o fosso entre as taxas de juro da dívida dos países mais endividados e dos outros.

Nota: É já amanhã!...

O fabuloso destino dos jovens assessores do Governo Passos.


Só no gabinete do primeiro-ministro contam-se 66 nomeações. No universo de centenas de colocações nos gabinetes ministeriais, um mais reduzido grupo chama a atenção devido a uma característica comum. Foram chamados para coadjuvar ministros e secretários de Estado tendo menos de 30 anos. O PÚBLICO encontrou 41. Uns ainda permanecem, outros já saíram. Uns chegaram ali por contactos partidários, outros pessoais. E, contudo, também existem os que foram chamados devido a um já invejável e apropriado currículo.

Quando chegou ao poder, Pedro Passos Coelho prometeu ser contido nas nomeações. E as que tivesse de fazer, seriam por mérito. Com um ano de Governo, a realidade mostra que nuns casos se confirma o mérito. Carlos Vaz de Almeida ainda está longe dos 30 anos, mas é visto como perito em administração pública e parcerias público-privadas, dossier que trata agora nas Finanças. E que já eram o seu trabalho no poderoso escritório de advogados Uria/Menendez. Sem ligações ao PSD ou ao CDS. No entanto, noutras nomeações parecem ter pesado critérios diversos, nomeadamente ligações ao PSD, JSD ou CDS. Entre as 41 detectadas, o PÚBLICO contabilizou 15 nessa situação.

Jorge Garcez Nogueira tinha 29 anos quando foi chamado para o gabinete de Miguel Macedo no Ministério da Administração Interna. Antes já passara pela Câmara do Fundão como vereador. No Fundão liderou a JSD local. Um cargo igual ao de Monteiro Marques, líder da JSD de Braga, cidade de onde é natural o ministro Miguel Macedo. O cargo de assessor não é novidade para este dirigente da JSD, que chegou a trabalhar em Bruxelas.

No gabinete do secretário de Estado adjunto do ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares está o presidente do PSD de Peniche, Ademar Vala Marques. No mesmo gabinete, é adjunto Ricardo Bastos Sousa, que tinha 30 anos quando assumiu o cargo. Bastos Sousa passou pelo Conselho Nacional de Jurisdição da JSD. Também o secretário de Estado do Desporto e da Juventude foi buscar André Pardal à JSD. Pardal esteve na presidência da Associação Académica da Universidade de Lisboa, no Conselho Nacional da Juventude e no Conselho da Europa para a Juventude.

Na equipa do secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural, do ministério da centrista Assunção Cristas, está a especialista Joana Malheiro Novo, que com 25 anos chegou ao Governo e ao conselho nacional do CDS. A lista continua com João Annes, que, aos 28 anos, se juntou à equipa do secretário de Estado da Defesa Nacional. Além de ser presidente da Associação de Jovens Auditores da Defesa Nacional, é dirigente do PSD de Oeiras. Nas últimas legislativas foi coordenador da campanha da juventude de Passos Coelho.

Depois temos os casos dos que deixam de ser ainda antes de conseguirem sequer aquecer o posto. Caso de Tiago Sá Carneiro, que esteve no gabinete do ministro da Educação, Nuno Crato. O seu currículo incluía a presidência da Associação Académica de Trás-os-Montes e o posto de secretário-geral adjunto da JSD. Acabou por sair quando se percebeu que a sua verdadeira qualificação não era a apresentada: a de engenheiro. Ainda assim, o partido resgatou o sobrinho-neto do fundador e presidente Sá Carneiro para assessor do actual secretário-geral, Matos Rosa.

O PÚBLICO falou com o presidente da JSD. Duarte Marques alerta para a aparente injustiça que representaria avaliar a escolha de um assessor ou adjunto apenas pela idade. Lembra que há quem chegue aos 29 anos com mais de cinco de experiência de trabalho. "Eu com 27 anos já tinha trabalhado seis anos em Bruxelas", assevera. Assegura que a JSD ajuda a ganhar experiência e tarimba, que aliás depois se capitaliza "na apresentação de trabalhos, nas entrevistas de emprego, na aprendizagem da partilha de responsabilidades e capacidade de liderança".

Marques defende, mesmo, que deveria fazer parte da formação política dos "jotas" passar por um "estágio de três ou seis meses" num gabinete executivo: "A política decide-se aí, seja no Governo ou numa autarquia", afirma. Depois usa um exemplo actual para demonstrar a vantagem da passagem dos "jotas" pelos gabinetes: "Ele é muito bom, mas se o António Borges tivesse passado uns anos na "Jota" há muito erro que não cometeria ...".

04.09.2012 - 11:32 Por Nuno Sá Lourenço

Nota: Moral da história? Sem moral...


terça-feira, 4 de setembro de 2012

Privatização da ANA abre nova brecha na sintonia governamental.


É mais um sinal de corrosão entre os parceiros do Governo. Após as declarações contundentes de dirigentes do CDS sobre a concessão da RTP a investidores privados e de Paulo Portas ter avisado este fim-de-semana que é preciso reforçar "o sentido de compromisso" no executivo, os democratas-cristãos erguem a voz contra o modelo de privatização da ANA aprovado no último Conselho de Ministros.

Nota: Show business

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Os herdeiros da desigualdade.


Já há muito se sabe que surtos de crescimento económico rápido podem aumentar a desigualdade: a China e a Índia são os mais recentes exemplos. Mas poderão o crescimento lento e a desigualdade crescente – as duas características mais salientes das economias desenvolvidas nos dias de hoje – estar também ligados?

Essa é a intrigante hipótese de um estudo recente do economista francês Thomas Piketty da Escola de Economia de Paris. Piketty desenvolveu alguns dos mais importantes trabalhos sobre desigualdade em anos recentes.

Tirando partido da precisão burocrática francesa, Piketty conseguiu reconstruir as contas nacionais francesas por mais de dois séculos. A economia de 1820 até à I Guerra Mundial – uma espécie de segundo ancien regime – tinha duas características notáveis: crescimento lento – cerca de 1% ao ano – e uma porção desmedida de riqueza herdada, responsável por cerca de 20-25% do PIB.

A ligação entre crescimento lento e a importância da herança, argumenta Piketty, não era coincidência: com a riqueza herdada a render 2-3% ao ano e os novos investimentos apenas 1%, a mobilidade social era extremamente limitada e a estratificação era encorajada.

Isso começou a mudar com a 1ª GG, quando o crescimento descolou – uma tendência que acelerou bastante depois da II Guerra Mundial. Com uma taxa de crescimento económico anual tão alta como 5% durante o boom pós-1945, a riqueza herdada encolheu para apenas 5% do PIB francês, dando início a um período de mobilidade relativa e de igualdade. Ominosamente, no entanto, durante as últimas duas décadas de crescimento lento, a riqueza herdada recuperou até cerca de 12% da economia francesa.

Este padrão deveria causar preocupação, porque o crescimento anual do PIB da zona euro durante a última década foi em média de 1%. Similarmente, o crescimento anual médio nos Estados Unidos abrandou de cerca de 4% entre 1870 e 1973 para cerca de 2% desde então.

Joseph Stiglitz, o economista agraciado com o Prémio Nobel, também acredita que o baixo crescimento e a desigualdade estão interligados, mas acredita que a relação causal se move na direcção oposta. Como defendeu numa entrevista recente: “Penso que é a desigualdade que está a causar o crescimento lento.” No seu novo livro O Preço da Desigualdade, ele escreve que, “a Política moldou o mercado, e fê-lo de tal forma que dá vantagens a quem está no topo a custo dos outros”. A maximização do lucro, a capacidade das elites consolidadas de distribuírem recursos entre si e abafar oportunidades para os outros, invariavelmente leva a um mercado menos competitivo e a um menor crescimento.

Crónica de Alexander Stille

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Crescimento das exportações cai quase para metade no segundo trimestre.


De acordo com os dados hoje divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), as exportações de bens aumentaram 6,8% no segundo trimestre, enquanto as importações diminuíram 8,3%. Isto permitiu um desagravamento do défice da balança comercial de 1973,1 milhões de euros. O saldo entre exportações e importações ronda agora os 2351,8 milhões de euros.

No primeiro trimestre do ano, as exportações tinham crescido praticamente o dobro: 11,5%. Com o agravamento da crise da dívida e com a deterioração económica nos nossos principais parceiros comerciais, que fazem parte da zona euro, as vendas ao exterior cresceram 6,8% entre Abril e Junho. Paralelamente, a quebra acentuada do consumo e do investimento está a ampliar a queda das importações: depois de uma diminuição de 2,4% no primeiro trimestre, as compras de bens ao exterior estão agora a cair 8,3%.

A desaceleração das exportações nacionais está a fazer-se sentir tanto no comércio intracomunitário como para fora da União Europeia. Depois de um crescimento de 5% nas vendas para os 27 países da união, Portugal viu as exportações aumentarem 2,4% no segundo trimestre. O espaço extracomunitário, que tem ajudado a sustentar o dinamismo das exportações, também está a abrandar: depois de as vendas terem crescido 32,9% no primeiro trimestre, estão agora a aumentar 17,8%.

Olhando apenas para Junho, o comportamento das vendas ao exterior é positivo e mostra mesmo que as exportações aceleraram neste mês, sobretudo graças ao aumento das vendas de combustíveis minerais para os parceiros comunitários. No global, as exportações cresceram 9,2% em termos homólogos, o que compara com o aumento de 8,2% registado no mês anterior.

Em termos mensais, ou seja, quando comparado com o mês anterior, as vendas ao exterior registaram, contudo, uma quebra (de 2,1%), devido ao decréscimo no comércio extracomunitário, com menores vendas de combustíveis minerais, veículos e outro material de transporte.

Nota: Sem nota...