quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Quase todos os operários da Delphi em Ponte de Sor continuam no desemprego

Um ano depois de a Delphi, em Ponte de Sor, no distrito de Portalegre, ter fechado as portas, a quase totalidade dos antigos operários da fábrica continua no desemprego e sem perspectivas de arranjar um novo posto de trabalho.

“A maioria dos meus colegas [cerca de 98 por cento] continua a receber o fundo de desemprego e não têm nenhuma perspectiva de arranjar um novo trabalho”, explicou à agência Lusa o antigo porta-voz dos trabalhadores, Francisco Godinho.

Dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Química, Farmacêutica, Petróleo e Gás do Centro, Sul e Ilhas (SINQUIFA), Francisco Godinho confessou que a situação começa a ser “dramática” para todos os antigos operários.

“Esta situação que vivemos começa a ser um bocado dura psicologicamente. Nós todos sentimo-nos como uns inúteis da sociedade, há dias mesmo muito difíceis”, lamentou.

Biscates e estudo

Aos 48 anos, Francisco Godinho recordou com alguma saudade os 26 anos que passou a trabalhar na Delphi e descreveu que, actualmente, passa uma parte do tempo a fazer “alguns biscates”, ao passo que uma franja dos seus antigos colegas tem aproveitado este último ano para estudar e tirar cursos.

“Alguns dos meus colegas optaram ao longo deste último ano para tirar um curso ou terminar o décimo segundo ano”, disse.

De acordo com o antigo porta-voz dos trabalhadores, durante o último ano, uma empresa portuguesa ligada ao sector automóvel comprou as instalações da Delphi em Ponte de Sor e também alguma maquinaria existente na fábrica.

Mas, segundo Francisco Godinho, até ao momento “ainda não surgiu nenhuma novidade” quanto ao futuro daquele espaço. “Se a empresa é semelhante à Delphi, temos sempre em perspectiva conseguir um novo posto de trabalho”, declarou.

Enquanto não surge uma luz ao fundo do túnel, o antigo operário mostra-se “preocupado” com o futuro dos seus ex-colegas, nomeadamente quando o fundo de desemprego terminar.

“A maioria das pessoas ainda não esgotou o fundo de desemprego [para a maioria termina em Janeiro]. Quando esse subsídio terminar, talvez haja alguns colegas que tenham que entregar as casas onde vivem”, alertou.

A Delphi esteve sediada em Ponte de Sor durante 29 anos e era considerada a maior unidade fabril do distrito de Portalegre, empregando 2,5 por cento da população do concelho.

A empresa, que fechou as suas portas no dia 31 de Dezembro de 2009, produzia apoios, volantes e airbags para vários modelos automóveis.

A Delphi/Guarda encerra as portas amanhã, lançando para o desemprego 321 trabalhadores, que se juntam a 601 dispensados entre 31 de Dezembro de 2009 e finais de Maio deste ano.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Contestação social pode explodir para o ano.


A greve geral e algumas manifestações sectoriais deram este ano o mote para o descontentamento dos portugueses. Os Sindicalistas acreditam que uma "explosão" social poderá acontecer em 2011

Eugénio Rosa, economista e membro da CGTP, considera que em 2010 houve um número de manifestações "com bastante peso" contra despedimentos colectivos. "Para o contexto português, foi um ano de grandes protestos e isso sentiu-se. O certo é que em Portugal a crise está a agravar-se ainda mais e em 2011 é natural que haja um agravamento ainda maior, com aumento dos despedimentos e da miséria", afirmou.

Também João Proença, secretário-geral da UGT, destaca a greve geral e as várias greves sectoriais, mas considera que "não se pode dizer que a conflitualidade social tenha sido tão grave como se configurou".

"A nossa contestação foi relativamente contida, apesar de sofrermos alguns males. Há um sentimento de insegurança, mas que começa a ser de preocupação com o futuro e pode dar origem a uma explosão", afirmou, sublinhando que "com a continuação do agravamento da pobreza, se a pessoa se sentir desprotegida, poderá haver uma grave contestação social".

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Ainda os submarinos!...


A Comissão Europeia liderada por Durão Barroso vai ter de decidir se quer investigar o ex governo do próprio presidente da Comissão. A eurodeputada socialista, Ana Gomes, apresentou ontem uma queixa na Comissão Europeia contra o executivo de Barroso que, em 2004, decidiu os termos em que Portugal comprou os dois submarinos ao consórcio alemão German Submarine Consortium. Ana Gomes diz que os contratos - de aquisição de dois submarinos e de contrapartidas no negócio - "estão eivados de vários crimes", "são lesivos para o Estado" e que encontra nos documentos que analisou "fundamentos de violação do direito comunitário". Em causa podem estar casos de "fraude", "violação das regras do mercado interno", "má utilização dos dinheiros públicos", "corrupção", ou ainda responsabilidade pelo "desaparecimento de documentos". "Este é o maior contrato de armamento que o Estado fez, no valor 1210 milhões de euros. Há vários indícios de que o Estado foi lesado e não foram acautelados os interesses públicos" explica a eurodeputada. Sem querer quantificar a dimensão do prejuízo para os cofres públicos, Ana Gomes diz ao i que houve dinheiro gasto que precisa de ser justificado: "Só o preço dos submarinos foi majorado em 64 milhões de euros e depois há o caso, por exemplo, da contratação da ESCOM, que foi contratada para fazer o projecto de engenharia financeira que devia ser feito pelo Ministério. Só por essa contratação, o Estado gastou 30 milhões de euros". E, só nestas duas questões, a eurodeputada contabiliza cerca de 100 milhões de euros que podiam ter sido repensados. Mas as contas podem ascender a centenas de milhões de euros: "Acrescem ainda eventuais comissões que tenham sido pagas e os prejuízos que advieram das contrapartidas - na maior parte fraudulentas", admite. Ambos contratos são da responsabilidade política do ministro da Defesa do governo Barroso, Paulo Portas: "Sei que o governo português actual mandou estudar a hipótese de pôr em causa os contratos, mas é difícil porque estes estão blindados", justifica a eurodeputada. Que acrescenta: não se trata de uma queixa "contra Portugal," mas "por Portugal".

Nota minha: E a lata que tem esta "gentinha" de vir para os "media" falar de honestidade, transparência e outros mais.
Isto já lá não vai com "cravos"...

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Contra os trabalhadores e o país!


Não é um pacote para a "competitividade e o emprego", é uma cartilha para despedir facilmente e oferecer emprego precário.

Como rapaz bem comportado, Sócrates aprovou num ápice as orientações ditadas pela Sra. Merkel para reformar a "legislação laboral". A encomenda alemã veio sob a forma de "pacote de 50 medidas para a competitividade e o emprego", isto é, a enésima vez que Sócrates saiu de um Conselho de Ministros a glosar os mesmos temas.

Há vários anos que não há trimestre algum em que Sócrates não fale de criação de emprego, sempre com os mesmos resultados: desemprego a subir desde 2005, (quando a taxa era 7,3% e se anunciavam 150000 empregos), até agora em que se aproxima de 11% e é o próprio Governo a anunciar (no O de Estado de 2011) a perda de mais algumas dezenas de milhares de empregos...

Faltam concretizar as 50 medidas do "pacote" mas há algumas coisas que, no meio da roupagem de propaganda, se percebem bem: o Governo vai permitir despedir com indemnizações mais baixas e vai criar um fundo para financiar essas indemnizações para o qual irão certamente contribuir o Estado e até os próprios trabalhadores, directa ou indirectamente. Não é um pacote para a "competitividade e o emprego", é uma cartilha para despedir facilmente e oferecer emprego precário onde já imperam os contratos a prazo e os recibos verdes.

Se tivesse dúvidas sobre a quem serve a fragilização extrema das relações laborais, Sócrates deve estar com as orelhas a arder pois, de Nobre a Alegre, de Moura a Cavaco, todos se juntaram a Francisco Lopes que sempre acentuou não ser com reformas da legislação laboral que se faz crescer a economia. E seria bom que aqueles quatro e muitos mais ouvissem Lopes quando este diz que a economia cresce com investimento, que a balança comercial se equilibra produzindo mais, substituindo importações e dinamizando o mercado interno.

Artigo de: Honório Novo

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Pensar à esquerda, sem vacas sagradas


Pensar à esquerda, sem vacas sagradas Para um debate que construa uma esquerda viva e mobilizadora da multidão
Sumário ·
Ponto de partida
·
O pensamento único
·
O modelo social europeu
·
O fim das nações
·
União Europeia
·
O Estado
·
Uma democracia para consumidores
·
Um autoritarismo crescente
·
Os excedentes de vidas humanas
·
Militarismo
·
A deriva ambiental

Ponto de partida
Ter certezas é reconfortante. Ter dúvidas é prova de vida. É prova de que se está atento às mudanças, que se está inserido no infinito processo de dúvidas que se tornam certezas e de certezas que são abaladas por dúvidas. O conforto das certezas favorece o desenvolvimento da fé; e a fé não se discute. Há demasiadas certezas à esquerda, demasiada fé. E quando a realidade desmente as certezas é a realidade que está errada, porque não se acha prescrita no receituário de um pensador político, diminuido ao papel de guru, pelo clero da esquerda. Pode extrair-se uma amostra de dimensão variável a partir do enxame de questões que a esquerda das rotinas não sabe ou, sobranceira, ignora, porque não incluida nos manuais; ou, pior que tudo, não coloca, por conveniência material dos seus mandarins. Essa esquerda para gozar do conforto do encosto aos financiamentos públicos, rodeia-se, empanzina-se de certezas. De facto, não se pode ter tudo: e essa esquerda prefere, decididamente, a barriga cheia e a cabeça vazia. Do lado de fora, no mundo, milhares de milhões trabalham e sofrem, ignorando-a quando não a desprezam. Para gáudio dos poderes do capitalismo. Sabemos todos que o capitalismo não é eterno; sobretudo quando a suas incapacidades o transformam em cataclismo. No seu âmago, o capitalismo tem a perfeita noção das suas dificuldades e joga decididamente, tudo na sua sobrevivência, como em medidas para que a multidão se distraia dessa realidade. Compete à esquerda criar e acelerar as condições para que o capitalismo seja visto como dejecto e a multidão decida, sobre ele, puxar o autoclismo da História.


Ver mais em:http://esquerda_desalinhada.blogs.sapo.pt/

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Países nórdicos lideram ranking de qualidade da democracia


A Noruega, Suécia e Finlândia são os países onde a qualidade da democracia é mais elevada, segundo um ranking divulgado hoje pela organização "Democracy Ranking Association", que coloca Portugal na 18ª posição e Moçambique nos últimos lugares (89).

O Brasil, o terceiro país lusófono considerado no ranking – que hoje foi apresentado na capital austríaca – aparece na 43ª posição, atrás de países como Singapura (42), Peru (41), Roménia (40), Bulgária (39) e Argentina (38).

Os dez primeiros lugares da lista são ocupados pela Noruega, Suécia, Finlândia, Suíça, Dinamarca, Nova Zelândia, Holanda, Irlanda, Alemanha e pelo Reino Unido, respetivamente. Portugal, que manteve a sua posição, figura na 18ª posição, atrás da França (17) e da Espanha (16).

O ranking, que reproduz uma classificação anual global da qualidade da democracia em cem países, avaliou indicadores políticos, de igualdade de género, acesso à educação e saúde, protecção do ambiente, entre outros.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Um país de adictos em desgraças doces


Adoramos desgraças e dramas. Fazem-nos sentir vivos, estimulam as nossas capacidades intelectuais, dão-nos tema de conversa, unem-nos na luta contra um mal comum. Mas mais do que tudo alimentam a paranóia, essencial para combater a sensação de que não somos ninguém, de que não importamos para nada, porque muito pior do que imaginarmos que há por aí alguém a conspirar contra nós, é sentir que nos ignoram, que não valemos nada para os outros.

O pior é que nem todos os dias há desgraças e dramas dignos desse nome. A crise económica parecia promissora, mas já cansa, sobretudo porque na prática e para a maioria das pessoas está adiada para Janeiro; os terroristas o pior que fazem por cá é instalar-se numa casa numa terra recôndita e encher a garagem de armas; dos aviões só caem as peças e, insulto dos insultos, nenhum dos documentos divulgados pelo WikiLeaks se refere a Portugal, como se ninguém estivesse minimamente interessado na troca de telefonemas dos nossos diplomatas, nem nos estratagemas maquiavélicos dos nossos políticos. É que nem para vítimas os poderosos nos escolhem!

Sendo assim, e no intervalo da Casa dos Segredos, o que sobra para animar estes dias tão curtos e tristes de Inverno? A falta de açúcar, evidentemente. Durante o fim de semana era vê-los, como se não houvesse amanhã, em filas de supermercado com o precioso “pó” açambarcado no carrinho de supermercado, fosse ele branco, amarelo, mascavado, granulado, aos quadradinhos ou em saquetas.

Vítimas da mesma síndrome lá foramos jornalistas para a rua perguntar, em voz adequadamente dramática, como é que o senhor A ou a senhora B planeavam sobreviver sem este bem de primeira necessidade, esquecidos da reportagem da véspera sobre o crescimento alarmante e dramático da diabetes entre os portugueses. Mas é verdade, esse era o drama da véspera, já gasto e enterrado.

ISABEL STILWELL

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

A Europa à beira da implosão total


por Ana Sá Lopes, Publicado em 09 de Dezembro de 2010

Jacques Delors e Helmut Schmidt acreditam que a falta de líderes com qualidade e visão de futuro, na Europa, pode conduzir ao fim do euro e da União Europeia.

Ouçamos os velhos: Jacques Delors, o carismático ex-presidente da Comissão Europeia, acha que os dirigentes europeus são incapazes de uma verdadeira cooperação e não têm a mais pequena noção de que têm nas mãos um bem comum a gerir, o euro. Em entrevista ao Le Monde, Delors preconiza que com as coisas a continuarem como estão - a Europa e os seus principais dirigentes capturados por impulsos populistas - o declínio é irreversível.

Também Helmut Schmidt, o antigo chanceler alemão, não tem dúvidas: "Faltam dirigentes na Europa, pessoas em altos cargos que dominem as questões nacionais e internacionais e tenham suficiente bom senso", disse Schmidt em entrevista há dois dias. Angela Merkel, a sua sucessora na chancelaria, tem sido "pouco hábil" na gestão da crise e o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Shauble, não percebe nada de mercados. Shauble, segundo o economista Schmidt, "percebe de questões relacionadas com o orçamento e de questões fiscais, mas os mercados internacionais de capitais e moedas, o sistema bancário ou a supervisão dos bancos são novos para ele".

O ex-chanceler esforça-se por tentar fazer perceber aos seus compatriotas a importância do euro para a Alemanha: se não houvesse euro, sustenta Schmidt, "a Alemanha teria sido alvo de especulações contra o marco pelo menos uma ou duas vezes, nos últimos 20 anos, de uma dimensão muito maior do que aquelas a que se assistiu contra a Grécia e a Irlanda". Mais: Schmidt acusa o banco central alemão, o Bundesbank, de estar a ser dirigido por "reaccionários" e personalidades "contra a integração europeia", que "tendem a agir demasiado a favor dos interesses nacionais, por não entenderem a importância estratégica" da integração europeia.

Esta semana, a rejeição por Angela Merkel das emissões da dívida pública europeias, defendidas pelo presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker (curiosamente, aquele que Helmut Schmidt identifica como o único dirigente europeu com o mínimo de high profile), por vários governos europeus, pelo FMI e pelo Banco Central Europeu, foram mais um momento negro, revelador da incapacidade alemã de resolver a crise do euro. No mesmo sentido foi a rejeição do aumento dos fundos do Fundo de Estabilização Financeira para acudir aos países em dificuldades. Os especuladores agradecem reconhecidos.

A situação é de implosão iminente. A teimosia da chanceler Merkel, que teme a emergência de um "Deustche Mark Party" na Alemanha - e a consequente derrota nas próximas eleições - vai levar a Europa para um abismo de consequências imprevisíveis. Essencialmente preocupada com a gestão da sua imagem nas sondagens, cuja melhoria é proporcional aos seus desmandos contra o euro, Merkel está a correr o risco de ficar para a história como a dirigente alemã que fez implodir o euro e, consequentemente, a ideia de União Europeia e as bondosas teorias da solidariedade entre os estados. O péssimo serviço que prestará à economia alemã, uma das principais beneficiárias do euro, é coisa que ainda não lhe passa pela cabeça - por muitos Schmidts que o tenham repetido nos últimos tempos. É neste nó cego que estamos metidos.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

É uma economia diabólica, desgraçada, hiper super liberal.



O antigo bispo de Setúbal Manuel Martins está "triste e revoltado" com as situações de "miséria absoluta" existentes em Portugal. Cconsequência de uma "economia diabólica, desgraçada, hiper super liberal".

Em declarações à Lusa, a propósito do convite que lhe foi feito pelo provedor da Misericórdia do Porto para apoiar a criação de um fundo de emergência social, Manuel Martins questionou se o governo não verá notícias, uma vez que diariamente "todos os meios de comunicação social divulgam casos de instituições que dão comida a quem precisa".

"Por todos os lados surgem iniciativas. Isto diz a situação em que nos encontramos. O governo verá isto?", perguntou.

O antigo bispo de Setúbal questionou mesmo como é que "um governo se considera legítimo quando permitiu que um país chegasse a esta situação, que pela comunicação social parece de uma miséria absoluta".

"Aquilo que é fundamental num estado social este governo está a matar, com as exigência que põe, com os benefícios que retira", frisou.

Manuel Martins, que afirmou "estar disposto a fazer todo o bem que puder", lamentou, contudo, não ser ouvido.

"Ando sempre à volta disto, mas o meu púlpito agora é muito pequenino. Quando era bispo da diocese ou tinha um cargo na conferência episcopal, eu tinha púlpito, agora falo, mas o meu púlpito é pequenino", disse.

O bispo confessou estar "pessimista" quanto ao futuro do país e comparou a actual situação a uma emergência quase impossível de salvar.

"Nós estamos assim na situação em que vemos um trabalhador no fundo de um poço, não sei de quantos metros, e era preciso salvá-lo, mas estamos numa situação em que nem corda temos para lhe atirar", frisou.

Para Manuel Martins, Portugal atravessa uma situação económica financeira muito complicada, "fruto de dependências".

"É uma economia diabólica, desgraçada, hiper super liberal, que tem lá no alto da pirâmide meia dúzia de homens que mandam no mundo e muitas vezes desgraçam o mundo", disse, acrescentando que o "poder político está inteiramente dependente do poder económico".

Na sua opinião, algumas "hesitações" do governo ligadas a obras públicas, em especial o TGV e a segunda ponte sobre o Tejo, surgiram "mais por força de imposições, de dependências criadas com o poder económico, do que propriamente de um projecto sério, bem alinhado e pensado".

Manuel Martins criticou ainda a "falta de transparência" do Governo.

Na sua opinião, o Governo, "deve funcionar como uma família", dizendo aos portugueses, com verdade, a real situação em que o país se encontra, quais as dificuldades a ultrapassar e os projectos para ultrapassar a situação.

"Há muita coisa escondida. Bem sei que há coisas, como na própria família, que não se revelam por inteiro, mas a transparência faz parte da democracia", concluiu.


terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Portugal à venda...


O Banco Central da Noruega (Norges Bank) adquiriu mais cerca de 15 milhões de acções da Energias de Portugal (EDP), passando a deter mais de 75 milhões de títulos da empresa, ou seja, uma participação qualificada de 2,06 por cento.

Destak/Lusa | destak@destak.pt

"A constituição da participação qualificada ficou a dever-se à aquisição de 2.000.330 acções em mercado e 12.900.000 acções fora de mercado, através de transações realizadas no dia 26 de novembro de 2010", especificou a empresa liderada por António Mexia, num comunicado hoje enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

No total, o Norges Bank detém agora 75.142.834 títulos da EDP, que lhe permitem controlar 2,06 por cento do capital social da empresa e 2,06 por cento dos respectivos direitos de voto.

De resto, o banco central norueguês tem estado bastante activo no mercado português, detendo participações qualificadas em diversas cotadas da praça lisboeta, como a Portugal Telecom (PT), a Sonae SGPS, a Ibersol, a Altri e a Semapa.

Na operadora de telecomunicações o Norges Bank chegou mesmo a deter mais de 5 por cento, tendo anunciado no final de Novembro a redução da participação para 4,94 por cento.

Na Ibersol a instituição norueguesa detém mais de 3 por cento, na Sonae SGPS, na Altri e na Semapa detém mais de 2 por cento, conforme anunciaram as empresas à CMVM em comunicações feitas a partir de Setembro.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

FMI e Comissão Europeia pressionam...


Apesar dos elogios do Fundo Mundial Internacional (FMI) e da Comissão Europeia (CE) ao Orçamento de Passos Coelho e José Sócrates para 2011, estas organizações político-económicas imperialistas continuam a pressionar Portugal para que o governo prossiga e aprofunde as “reformas”, ou seja, o ataque aos direitos económicos e sociais dos trabalhadores, facilitando mais a vida aos capitalistas. E como exemplo dos seus remédios para a “crise”surgem os “ajustamentos” que, com a participação dos governos dos respectivos países, estão a ser aplicados a Gregos e Irlandeses – despedimentos, cortes nos salários e nos gastos sociais, redução nos valores das reformas, assim como subida dos impostos.

Técnicos do FMI defendem em relatório recente que Portugal deve proceder à diminuição do valor das indemnizações aos trabalhadores despedidos com ou sem justa causa, isto é, tornar os despedimentos mais baratos. E já em anterior relatório estes mesmos técnicos haviam defendido uma maior flexibilização das leis laborais, nomeadamente no que diz respeito aos horários de trabalho. Tudo isto, medidas que têm vindo, repetidamente, a ser exigidas pelo patronato.


Claro que os pareceres do Fundo Monetário Internacional, que implicariam uma nova revisão do Código de Trabalho, serão mais rapidamente postas em prática, caso o FMI, em associação com a U E, intervenha directamente em Portugal. Mas também, apregoados aos sete ventos pelos analistas de serviço, estes pareceres servem de fundamento aos governos do capital, para as negras medidas que pretendem aplicar contra os trabalhadores e os pobres.


Assim, e em sintonia com estas pressões, Teixeira dos Santos já afirmou que, a par do processo de consolidação orçamental, terão de se “aprofundar” reformas no mercado de trabalho, que levem a cabo um ajustamento às actuais condições económicas. Sócrates, igualmente, já admitiu discutir com patrões e sindicatos “melhorias” nas condições do mercado de trabalho. E, agora, Passos Coelho também veio declarar que está pronto a governar com o FMI (provavelmente com a ajuda do seu correligionário do PSD e também responsável desta instituição, António Borges).


Com ou sem FMI, esta gente – os Sócrates, os Teixeira dos Santos e os Passos Coelho – não hesitam em assumir-se claramente como lacaios do capital – aquilo que efectivamente são – numa feroz concorrência pela gestão do actual sistema de exploração e opressão capitalista. Aliás, eles têm vindo a avançar com receitas – tipo Fundo Monetário Internacional.


Enquanto os de baixo não acreditarem suficientemente na sua força e não se revoltarem a sério, correndo com a corja que domina a economia do país e com os seus representantes alcandorados ao mais alto nível do aparelho de estado, os problemas de fundo não serão resolvidos e será cada vez mais difícil a vida de quem vende a sua força de trabalho e é diariamente oprimido.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Salários públicos vão ser os mais penalizados da UE



Trabalhadores portugueses vão sofrer a maior quebra de poder de compra da Europa

A crise global combinada com a política de austeridade total prometida pelo Governo vai atirar Portugal para uma recessão em 2011 (uma queda de 1% do produto) e empurrar o desemprego para níveis históricos. Os ordenados do privado vão estagnar, perdendo poder de compra, e o corte na massa salarial no sector público será superior a 11%, o mais violento de sempre e o maior dos 27 países da União Europeia (UE).

Estas são algumas das más notícias ontem ventiladas pela Comissão Europeia, no relatório das previsões de Outono.

Os técnicos do executivo europeu provam o que a maioria dos economistas já avisa há muito tempo: estão reunidas as condições para que Portugal acumule, até 2012 inclusive, meia década perdida no crescimento, no emprego e no bem-estar da população.

Os portugueses vão empobrecer (cada português tornar-se-á no oitavo mais pobre dos 27 em 2012, já ajustado pelas paridades de poder de compra de cada país), enfrentarão quatro anos consecutivos de destruição de emprego e verão assistir a uma subida da taxa de desemprego para 11,1% em 2011 e 11,2% em 2012.

A subida da carga fiscal prevista no relatório afectará a esmagadora maioria dos portugueses, mas tende a pesar mais no bolso das pessoas mais pobres. O aperto ficará completo com a forte redução dos apoios sociais e o congelamento das pensões, por exemplo. Não se sabe ainda o que acontecerá com a actualização prevista do salário mínimo.

É nos salários que o impacto é maior, sobretudo ao nível da função pública: o ordenado médio real dos trabalhadores portugueses (já descontado da inflação) deverá cair 3,5% em 2011, o pior valor de toda a UE. É preciso recuar até aos anos do segundo plano de ajustamento do Fundo Monetário Internacional (FMI), a 1983 e 1984, para encontrar uma degradação superior (-5,7% e -9,2%, respectivamente).

A seguir a Portugal surge a Grécia, com uma perda de poder de compra salarial na ordem dos 2,3% no ano que vem.

A média nacional é fortemente enviesada pelos sacrifícios pedidos a muitos funcionários públicos, actualmente cerca de 663 mil pessoas. Bruxelas aponta para uma quebra nunca vista nas verbas para salários públicos superior a 11% em termos nominais, a maior de toda a UE. Em 2012, a razia continua com um corte de outros 2%. O Governo defende um corte médio da massa salarial na ordem dos 5%. A medida reflecte um controlo extremo na admissão de funcionários.

Apesar do empobrecimento em larga escala, Bruxelas alerta que Portugal falhará o ambicioso plano de redução do défice público prometido. Considera que o país precisa de mais medidas de austeridade para evitar a derrapagem: o Governo defende que o défice vai melhorar dos 7,3% do PIB este ano, para 4,6% no próximo e 3% em 2012; Bruxelas arrasa esta previsão, dizendo que a economia vai fraquejar e a factura com juros explodir. Para Bruxelas, o desequilíbrio das contas públicas vai, afinal, chegar a 4,9% e subir até 5,1% em 2012. Os mercados não gostaram e a taxa de juro da dívida pública atingiu um novo recorde, 7,4%.

PS - Todos sabemos dos abusos que têm havido na "Função Pública". Do peso que tem no OE. Mas lembrem-se que quem vai sofrer "mais" não são os que estão lá no "alto do poleiro". Irão ser os de baixo. E quando um dia não houveram hospitais públicos, centros de saúde públicos, escolas públicas e outros que tais já será tarde demais. Lembrem-se de Bertold Brecht:

Quem construiu Tebas, a das sete portas?
Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilónia, tantas vezes destruida,
Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas
Da Lima Dourada moravam seus obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde
Foram os seus pedreiros? A grande Roma
Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem
Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio
Sò tinha palácios
Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida
Na noite em que o mar a engoliu
Viu afogados gritar por seus escravos.

O jovem Alexandre conquistou as Indias
Sózinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?
Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha
Chorou. E ninguém mais?
Frederico II ganhou a guerra dos sete anos
Quem mais a ganhou?

Em cada página uma vitòria.
Quem cozinhava os festins?
Em cada década um grande homem.
Quem pagava as despesas?

Tantas histórias
Quantas perguntas

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Jovens lusos são dos mais precários na União Europeia


Os trabalhadores portugueses mais jovens são dos mais penalizados na UE pela precariedade, revela o estudo da Comissão Europeia.

Apesar disso, um grupo de gestores e empresários insiste em "flexibilizar" os contratos a propor aos jovens à procura do primeiro emprego.

A precariedade detectada pela Comissão alastrou nos últimos anos. Nos quatro países onde o quadro é mais desfavorável, o grau de precariedade até recuou.

Em Portugal, os empregados com idades entre os 15 e os 24 anos abrangidos pelos chamados "contratos temporários" valem 53,5% do total de indivíduos nessa faixa etária, o quinto valor mais alto entre os 27 países da UE. Eslovénia e Polónia lideram.

Os investigadores da Comissão alertam que, apesar dos contratos a termo e outras formas mais precárias (como os recibos verdes) poderem ser uma "porta de entrada" para o mercado de trabalho e "um degrau para alcançar empregos mais estáveis e mais bem pagos", esses vínculos "temporários podem ser simplesmente um factor de produção mais barato face ao emprego permanente", amortecendo os choques. O problema é que há países, como Espanha, Portugal, Eslovénia ou Eslováquia, onde os vínculos temporários estão a aprisionar os mais jovens, impedindo-os de progredirem para contratos sem termos e níveis salariais mais bem remunerados.

A taxa de desemprego jovem atingiu um recorde de 23,4%, quase 99 mil no terceiro trimestre. Esta realidade adversa não desmobiliza os gestores do Fórum para a Competitividade que ontem pediram contratos ainda mais flexíveis para os jovens à procura do primeiro emprego ou que trabalhem no sector exportador: querem contratos flexíveis com duração de quatro anos e com isenção total ou parcial nos descontos dos empregadores para a Segurança Social.