quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

E, NO ENTANTO, É PRECISO SONHAR!...



Olho lá para baixo e há muitas coisas, vozes, rostos e infâmias oblíquas que já foram. O tempo não mata as dores: adormece-as. Nada é para sempre. Chega-se ao fim do ano e os homens antigos e experimentados sabem que as lembranças adquirem uma simplicidade contrária ao ressentimento. Todavia, foi um áspero, infausto e rude ano, este, que vai embora.
Houve uma época em que, com alvoroço e arfante ansiedade, escrevi: "A esperança tem sempre razão." O sonho andava à solta e eu ainda não aprendera a natureza dos perigos contidos no sonho. Mas havia sempre alguém sorrindo para mim e um horizonte luminoso à nossa espera. Reconheço, com tristeza, que a frase era um pouco imprudente, embora, talvez, nos lavasse moderadamente a alma.Chegamos a hoje e, num bulício de fé, repetimos os pedidos do ano passado, embalamos os desejos do último dia do último Dezembro, esquecidos de que a doçura e a clemência deixaram, há muito, de nos visitar. E, no entanto, é preciso não esquecer: este mundo seco, desabrido e falho de ternura, é o nosso chão, limitado pela geometria que traçámos, erguido pela greda com a qual o moldámos.O português acalenta um tédio minucioso, acaso desatento e pueril, e evoca, no remate de cada ano, um mundo que lhe foi hostil, na vaga crença de que o novo será melhor. Nunca foi. Entre a mediocridade e a nostalgia de uma falaciosa idade de ouro vivemos nessa ilusão patética gravada numa frase sem sentido: saudades do futuro. E, no entanto, é preciso ter ilusões; sonhar, porque não sonhar?, que, entre as esperas e as ausências, temos de construir a instância do desejo.O homem antigo e rodado que vos fala aprendeu que não existe limite de idade para o sonho, e que a volúpia de se estar preso a este mundo corresponde à nossa sede de eternidade. Se há lugar para a tristeza humana, também o há para a aspiração de felicidade que nos acalenta. Em qualquer idade procuramos um qualquer absoluto, uma ilusão fixada no eixo da nossa própria natureza, que tanto suporta a juventude como a velhice.
No final do ano que aí vem, 2009, as aspirações deste ano, que fecha, serão aspirações velhas, sendo, embora, as mesmas, com ligeiras variantes. Queremos hoje o que quisemos há 12 meses. Um pensamento horrivelmente banal, um pequeno sopro de nostalgia, um meneio cheio de silêncio - e, afinal, um módico favor da vida. O que vai desaparecer é outra forma de morte de nós próprios.
Olhamos lá para baixo e tudo parece perdido nas sombras e nos sossegos incautos de quem somente ambiciona esquecer, esquecer, esquecer, e dormir na paz sonhada de que o ano seguinte será melhor.
Porém, ninguém sai inteiro de cada ano que fecha.


DN – 31 de Dezembro de 2008 - crónica de Baptista Bastos

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Ao cair do pano...

Ao cair do pano, ou seja... ao findar 2008 continuam os mesmos problemas no mundo. A quem interessam que continuem?


"A operação israelita na Faixa de Gaza surpreendeu pela violência. Israel quer neutralizar o Hamas, apontado como primeira causa do conflito. Foi o movimento fundamentalista que quebrou o cessar-fogo de seis meses e lançou rockets contra comunidades israelitas. No entanto, as coisas não são tão simples. O Hamas governa de facto a Faixa de Gaza e em Junho de 2007 expulsou a Fatah, que controla a Autoridade Palestiniana do Presidente Mahmoud Abbas. No início de 2006, os fundamentalistas tinham vencido eleições justas.A estratégia israelita passa pelo isolamento do Hamas, movimento que parece incapaz de aceitar o princípio da convivência de dois Estados. Mas, em cada nova derrota militar, a sua influência cresce entre uma população submetida a um bloqueio económico total, que vive em ambiente de profunda insegurança. E também cresce o apoio da opinião pública árabe.Com o fim do cessar-fogo e o recomeço da chuva de rockets, ao Governo de transição israelita só restava a saída militar. A oposição de direita subia nas sondagens e os partidos da coligação enfrentavam a derrota nas legislativas de 10 de Fevereiro: a chefe da diplomacia, Tzipi Livni, é a líder do Kadima, o partido centrista no poder; o ministro da Defesa, Ehud Bark, dos trabalhistas.E, para os israelitas, havia uma minúscula janela de oportunidade, a semanas da tomada de posse da nova Administração americana.Cada um dos lados está, assim, a pensar em questões de poder interno. E isso não permite resolver o verdadeiro problema da Faixa de Gaza: o sofrimento de 1,5 milhões de civis que apenas desejam poder continuar com as suas vidas."


DN 29.Dez.2008

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Um postal de 2008.


O discurso de Natal do "nosso" Primeiro foi como o de Santo António a falar aos peixes... Já ninguém acredita nele!...

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Comboio da Paz...

Yusuf Islam(Cat Stevens) - Peace Train - Nobel Concert 2006. Um dos meus cantores (de sempre) numa música... de sempre!... Boas Festas para todos vós que nos visitam!...


quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

«Eu sou o meu próprio comité central»


Relembrando Zeca Afonso... e a sua contínua actualidade...


Admite que a fim e ao cabo os povos têm os governos que merecem?

Tenho oscilado entre recusar essa conclusão e admiti-la. É um facto que no povo português há uma tendência para a subserviência, para se curvar perante a autoridade, para o compadrio, os favores, para o deixar andar. Mas tudo isso existe ao lado de uma certa truculência e dignidade. Conheço muito bem os alentejanos, por exemplo. São pessoas pobres, talvez sem grande combatividade, mas existe nelas uma dignidade perturbante. Não é fácil pisá-las, embora pareça fácil abusar delas durante muito tempo.

O que acaba por ser curioso é que você contesta a democracia parlamentar com a mesma veemência com que contestou o fascismo.

O problema é que os direitos formais têm cada vez menos conteúdo prático. As liberdades formais não servem para nada se não tiverem consequências no dia a dia das pessoas. Teoricamente não há censura, não existe repressão policial ao nível da política, pode-se portanto falar, escrever, etc. Mas os mecanismos de coerção e discriminação permanecem. Mais subtis, mais pulverizados, mas permanecem. O que não quer dizer que eu não preferia a democracia formal ao fascismo, é evidente. Mas no fundo a liberdade é antes de mais nada a liberdade de se viver melhor. Por isso a liberdade para o doutor Mário Soares é uma coisa e para o tipo que está sem salários ou sem emprego ou sem casa é outra. Em quase toda a região de Setúbal há fome, mulheres casadas e raparigas prostituem-se para comer. Que sentido faz falar a estas pessoas da liberdade da democracia? Claro, há uma data de gente que vive melhor do que antes do 25 de Abril, mas à custa de clientelismos partidários e favores políticos que não afirmam propriamente os trunfos dum regime.(...)

Excertos da entrevista concedida por José Afonso ao jornalista e escritor José Amaro Dionísio em Junho de 1985.

Retirado de: http://www.aja.pt/eudizia.htm

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Balada para outras Isabellas. Por Lisieux…



Recebi esta mensagem através de um "pps". Não resisti a transcrevê-la...


Olá! Eu vim lhe contar um pouco da minha história...
Peço atenção, seu 'dotô', um instante, não demora...

Meu nome não é Isabella nem 'caí' de uma janela do quarto no sexto andar... (será que pensaram, os insanos, que ela sabia voar?)

Não moro num prédio equipado, não tenho motos, brinquedos, nem piscina pra nadar... Eu brinco, às vezes, nas poças de chuva, com gatos, latinhas, bolinhas de gude... isso quando não tenho que a mãe ajudar...

Não sei dançar, e não brinco como menina educada, porque aprendi, desde cedo, lá no morro onde nasci, que não importa o sexo da criança: menino ou menina, a experiência, é viver o teatro da sobrevivência...

Não me chamo Isabella... nem fui morta (ainda) por meu pai ou madastra... mas morro um pouco, a cada dia, quando sou espancada. E morro também, assim, engasgada, obrigada a me calar quando tenho mãos sobre mim... nem sempre a me sufocar, mas explorando, de um jeito esquisito, que nem entendo direito, no meu corpo sem contornos...
Meu nome ,não é Isabella... Não tenho cabelos lisos, nem tenho olhinhos espertos... Ao contrário: meus olhos são opacos, talvez, por não querer enxergar minha dura realidade...

Também não faço teatros, lá no palco da escolinha... isso não é para mim... Quando vou à escola, é somente pra comer a merenda que me dão... pois muitas vezes, em casa, não temos sequer o pão...
O máximo que sei é correr: morro abaixo, morro acima, entre os carros dos sinais... para ganhar um trocado, ou para fugir dos adultos, que insistem em me machucar...
Eu não me chamo Isabella... mas, como ela,(ou até mais!) eu sofro... e diariamente... Tenho marcas de pancadas, queimaduras de cigarros, tenho ossos fraturados, boca sangrando, hematomas, que mãos e pés gigantescos me provocam sem motivo...
Não morri, como Isabella... Ainda não... mas irmãos, amiguinhos, conhecidos, eu sempre vejo morrer... Quem matou? Nunca se sabe... 'ele caiu', 'tropeçou' 'queimou-se por acidente' 'estrupada?', 'coitadinha'... ‘não fui eu', diz o padrasto, 'nem eu', diz a mãe omissa... e eles não têm nem quem reze para eles, uma missa...
Eu não me chamo Isabella... sou Maria, Rita, João... Sou Josefina, sou Mirtes, sou Paulo, Sebastião.. Sou tantas, tantas crianças, que todo dia a omissão de todos deixa morrer...
Engraçado é que ninguém, faz passeata por mim a imprensa não divulga, o 'figurão' não se importa, a classe média não grita, os ricaços dão de ombros...
Que hipocrisia é essa, de chorar por uma só? São tantas as Isabelas violentadas sem dó... Mas que importam os escombros, a escória da sociedade?
Se não me chamo Isabella, não mereço piedade.

Texto: Jornal do Commercio
PS: colaboração do leitor atento Ruy Ferreira

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Eles têm Obama nós queremos... Mamadu!




Nem de propósito, hoje à saída do metro, recebi um pequeno “papelinho” com informações acerca do Professor Mamadu.
Fui lendo enquanto caminhava e quando cheguei ao fim pensei:
- Ora aqui está... o homem que nos vai salvar da crise!...
Primeiro é Professor. (Portanto tem mais categoria que um simples Engenheiro...)
Além de “resultados rápidos e garantidos” o Professor Mamadu é dotado de “Dom Herditário”. Eu não sei o que é mas apressei-me a vir à “Internet” saber o que havia escrito sobre o assunto. Infelizmente não encontrei resposta que me satisfizesse a curiosidade (e também ignorância...). Sim, por que isto de ter um “Dom Herditário” é concerteza algo de muito raro...
Também fui ao dicionário mas... “nickles”!...
Mas também não me importa muito esse “Dom” já que o Professor “resolve todos os problemas mesmo os casos mais desesperados: amor, negócios, casamento, impotência sexual, sorte ao jogo, etc, etc... “.
Com todos estes predicados só posso chegar a uma conclusão:
Os portugueses têm de convidar o Professor Mamadu para 1º Ministro de Portugal!...
Os EUA têm Obama nós queremos Mamadu...


terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Os bons exemplos que vem dos deputados!...


Deputados faltam quase o dobro à sexta-feira .

O DN fez as contas à presença dos deputados no plenário, desde o início do ano, nos três dias da semana em que há sessões plenárias. Conclusão: mesmo sendo por vezes dia de votações, os parlamentares faltam muito mais à sexta-feira.

In: DN de 9/Dez/2008

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

A propósito de patriotismo...

Mariano Deidda diz que Pessoa será o maior poeta universal dentro de 10 anos

Muitas vezes, em conversas com amigos, oiço falar de falta de patriotismo nacional. Ainda ontem na televisão dois portugueses, que estão a trabalhar em Espanha no meio musical, falavam disso mesmo. Dizendo que em Espanha os espanhois tem orgulho "em serem espanhois"... Em Portugal ainda se conserva o "estigma" de que o que vem de fora é que é bom... considerando o patriotismo nacional como de "coisa bacoca". Podemos ser melhores? Claro que podemos basta "apenas" que sejamos honestos... "prometer e cumprir" e valorizar o que é nosso.

No congresso de Fernando Pessoa, no final de Novembro, Mariano Deidda estava lá. Reconheceram-no e chamaram-no para o cumprimentar. Nos intervalos, tocaram música sua. Fernando Pessoa cantado em italiano, com uma música que anda entre o jazz e a contemporânea. O que faz deste homem de estatura mediana, cabelo encaracolado e olhar vivo um arauto do grande poeta português? Nascido na Sardenha, foi na juventude que o leu pela primeira vez: «Pessoa é o amor da minha vida. Era muito jovem quando o descobri e encontrar- me com uma obra tão forte como a do “Livro do Desassossego” foi como se tivesse as mãos a tapar os olhos e de repente os destapasse. Pessoa abriu-me os olhos. E comecei a ver o mundo de outra maneira. Do Livro do Desassossego passei a todos os outros e percebi então o universo pessoano.» Desde 2001 já gravou três discos com canções sobre poemas de Pessoa e vai gravar mais, agora com a Mensagem. Em Portugal, canta em Lisboa (CCB, esta sexta,5, com a cantora cabo-verdiana Celina Pereira, que participou no seu primeiro disco), Faro (a 6) e Matosinhos (a 7).

In: http://static.publico.clix.pt/sexta/sexta.pdf

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

É fartar vilanagem!...


Estado assegura 672 milhões em património do BPP Banca. O plano do Governo e do Banco de Portugal para salvar o Banco Privado Português (BPP) prevê a injecção imediata de 450 milhões de euros, tendo como contra-garantia património da instituição. A nova gestão terá representantes do BCP, CGD, BPI e banco central.


In DN de 3 de Dezembro de 2008

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

É preciso "avisar a malta"!...


O objectivo é que os homens se juntem à luta contra a violência sobre as mulheres, é preciso que todos e todas entendam que usar violência é sinal de cobardia e não de masculinidade e virilidade. Todos e todas devemos censurar a violência, ser firmes e ter coragem de dizer, mesmo aos n/amigos, que o uso da violência nunca se justifica.


Porque o que é preciso é "avisar a malta"!...


Juntem-se à causa assinando em:




Nota - Enviado por um amigo.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Quem entrar de tanga recebe roupas.


As 50 primeiras pessoas a chegarem ao mercado de escoamento de stocks, Stockmarket, na Fundição de Oeiras, no sábado às 12.00 trajando apenas uma tanga voltam para casa vestidas da cabeça aos pés sem gastarem um tostão.
“Baseámo-nos no slogan desta edição ‘viva a crise’, procurando “ter mais sentido de humor nestes momentos difíceis”, disse à Lusa Carla Sousa da organização do Stockmarket.
Assim, sábado, os 50 primeiros a aparecerem de tanga podem sair vestidos com roupas oferecidas. (Jornal "Global" de 28 de Novembro.2008)


Na foto vemos os primeiros candidadtos...

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Dos pequenos também reza a história...

Na minha infância, entre outras coisas, coleccionávamos “bonecos da bola”. Um dos clubes com que sempre “simpatizei” foi o Leixões. Porquê? Talvez por não ser dos chamados “grandes” do nosso futebol… e também devido à singularidade do seu emblema.
Aqui vai a minha pequena homenagem ao “líder” do nosso Campeonato de Futebol e a explicação (da razão de ser) do emblema:
O Leixões Sport Clube, nasceu da união de três grupos desportivos em 1907.Na altura existiam o Grupo Leixões Foot-Ballers (que se dedicava ao Críquete, modalidade desportiva muito em voga na Inglaterra), o Grupo Lawn – Tennis Prado e o Grupo Lawn – Tennis de Matosinhos (estes últimos dedicados ao Ténis). Inicialmente foi-lhe dado o nome de Leixões Football Club, mas algum tempo depois os fundadores resolveram alterar o nome, uma vez que o clube não se dedicava só ao futebol. É por isso que o seu emblema mostra a raquete de ténis, o bastão do críquete e a bola de futebol.

Site do clube: http://www.leixoessc.pt/

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Finanças e macacos...


Esta pequena “estória”, que em baixo transcrevo, já circula na net há muito tempo. Metáforas que se vão arranjando para explicar o... inexplicável. Coitados de nós homens “vulgaris” e dos macacos... porque os grandes “macacões” continuam a dominar a seu “bel-prazer” e a “fabricar” crises que são pagas por quem menos tem culpa.
Ainda ontem ouvi na televisão um dos “tais” a dizer que o BPP (Banco Privado Português) coloca a hipótese de recorrer ao empréstimo, que o Estado português pôs à disposição dos Bancos, para resolver problemas de solvência a curto e médio prazo.
Entretanto hoje já a CGD, o BES e o BCP também querem...
Adivinhem agora quem é que vai pagar uma vez mais tudo isto... Hum?... Como diz a sabedoria popular: “Não é preciso ir à China...”

“Uma vez, num lugarejo, apareceu um homem anunciando aos aldeões que compraria macacos por 10 Euros cada. Os aldeões sabendo que havia muitos macacos na região, foram à floresta e iniciaram a caça aos macacos. O homem comprou centenas de macacos a 10 Euros e então os aldeões diminuíram seu esforço na caça. Aí, o homem anunciou que agora pagaria 20 Euros por cada macaco e os aldeões renovaram seus esforços e foram novamente à caça. Logo, os macacos foram escasseando cada vez mais e os aldeões foram desistindo da busca. A oferta aumentou para 25 Euros e a quantidade de macacos ficou tão pequena que já não havia mais interesse na caça.
O homem então anunciou que agora compraria cada macaco por 50 Euros.Entretanto, como iria à cidade grande, deixaria o seu assistente cuidando da compra dos macacos.
Na ausência do homem, o assistente disse aos aldeões: 'Olhem todos estes macacos na jaula que o homem comprou. Eu posso vender-vos por 35 Euros e, quando o homem voltar da cidade, vocês podem vender-lhe por 50 Euros cada. Os aldeões, espertos, pegaram nas suas economias e compraram todos os macacos do assistente.
Eles nunca mais viram o homem ou o seu assistente, somente macacos por todos os lados..."
Agora percebem como funcionam os Mercados financeiros...”

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Em tempos de crise...


Aqui está uma óptima ideia "comercial". Se não os pode vencer... junta-te a les!...

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

"Tadinhos!..."


Lucros do Espírito Financial Group caem para 65,8 milhões de euros nos primeiros nove meses


O Espírito Santo Financial Group, companhia que controla o BES e a seguradora Tranquilidade, anunciou esta manhã que obteve lucros de 65,8 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, uma queda de 55,2 % face ao período homólogo, que se devido à crise nos mercados financeiros.


Em: http://www.jornaldenegocios.pt/ (17 de Novembro de 2008)

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

PLANO PARA SALVAR PORTUGAL DA CRISE... E SERMOS DONOS DO MUNDO


Passo 1:
Trocamos a Madeira e os Açores pela Galiza, mas os espanhóis têm que levar o Sócrates.

Passo 2:
Os galegos são boa onda, não dão chatices e ainda ficamos com o dinheiro gerado pela Zara (é só a 3ª maior empresa de vestuário).
A indústria têxtil portuguesa é revitalizada. A Espanha fica encurralada entre os Bascos e o Sócrates.

Passo 3:
Desesperados, os espanhóis tentam devolver o Sócrates. A malta não aceita.

Passo 4:
Oferecem também o Pais Basco. A malta mantêm-se firme e não aceita.

Passo 5:
A Catalunha aproveita a confusão para pedir a independência.Cada vez mais desesperados, os espanhóis devolvem-nos a Madeira e os Açores e dão-nos ainda o Pais Basco e a Catalunha. A contrapartida é termos que ficar com o Sócrates.
A malta arma-se em difícil mas aceita.

Passo 6:
Damos a independência ao País Basco.
A contrapartida é eles ficarem com o Sócrates. A malta da Eta pensa que pode bem com ele e aceita sem hesitar. Sem o Sócrates Portugal torna-se um paraíso e a Catalunha não causa problemas.

Passo 7:
Afinal a Eta não aguenta o Sócrates, e o País Basco pede para se tornar território português. A malta faz-se difícil mas aceita (apesar de estar lá o Sócrates).
Passo 8:
Fazemos um acordo com o Brasil. Eles enviam-nos o lixo e nós mandamos-lhes o Sócrates.

Passo 9:
O Brasil pede para voltar a ser colónia portuguesa. A malta aceita e manda o Sócrates para os Farilhões das Berlengas apesar das gaivotas perderem as penas e as andorinhas do mar deixarem de por ovos.

Passo 10:
Com os jogadores brasileiros mais os portugueses Portugal torna-se campeão do mundo de futebol!

Passo 11:
Os espanhóis ficam tão desmoralizados, que nem oferecem resistência quando os mandamos para Marrocos.

Passo 12:
Unificamos finalmente a Península Ibérica sob a bandeira portuguesa.

Passo 13:
A dimensão extraordinária adquirida que une a Península e o Brasil, torna-nos verdadeiros senhores do Atlântico.
Colocamos portagens no mar, principalmente para os barcos americanos, que são sujeitos a uma sobretaxa tão elevada que nem o preço do petróleo os salva.

Passo 14:
Economicamente asfixiados eles tentam aterrorizar-nos com o Bin Laden, mas a malta ameaça enviar-lhes o Sócrates e eles rendem-se incondicionalmente. Está ultrapassada a crise...

Facílimo, não?!!! »

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Com a "tropa" não se brinca.. Porque será?


Defesa Aliena mais 52 imóveis do que previa
13.Nov.2008 (DN)


O Ministério da Defesa vai alienar 192 imóveis militares, mais seis dezenas do que o previsto, para financiar a modernização das Forças Armadas e o Fundo de Pensões dos militares.
A lista dos imóveis, ontem publicada em Diário da República e até agora desconhecida, inclui carreiras de tiro, paióis, casas, caminhos militares, quartéis, fortes, conventos ou terrenos, entre outros bens. Em Julho passado, aquando da aprovação da Lei de Programação de Infra-estruturas Militares (LPIM), o Governo previa alienar apenas 130 a 140 - entre 52 e 62 a menos do que o número aprovado - dos imóveis afectos às Forças Armadas, no continente e nas regiões autónomas dos Açores e da Madeira.
A estabilização do descapitalizado Fundo de Pensões, atribuindo-lhe 336 milhões de euros, é outra das prioridades da alienação daquele património, sendo as verbas restantes distribuídas pelos serviços centrais do Ministério da Defesa (92 milhões de euros), pela Armada (80 milhões), Exército (218 milhões) e Força Aérea (108 milhões), o que perfaz os 834 milhões de euros estimados pelo Executivo.

General Loureiro dos Santos alerta para desespero de militares
30 OUT 08 às 07:59 (TSF)

O general Loureiro dos Santos chamou à atenção para o desespero que se está a apoderar de alguns militares e alertou para a possibilidade de algumas atitudes que podem pôr em causa a democracia portuguesa. Sargentos e oficiais das Forças Armadas confirmam estes alertas.

Militares descontentes podem vir a ter atitudes “imprudentes”
30.Out.2008 (SIC)


O general lança um apelo, dirigido em especial a Cavaco Silva e José Sócrates, para que tomem medidas para a resolução dos problemas e escutem os conselhos dos responsáveis militares.
“Pode acontecer que esta situação, a não ser rapidamente resolvida, origine actos esporádicos e isolados, da perturbação da normalidade em que todos nós vivemos, que resulta, digamos, de uma democracia madura, avançada, que foi implantada há 33 anos a muito custo e, por conseguinte, eu faço este apelo aos responsáveis, nomeadamente ao Presidente da República e ao primeiro-ministro, para olharem para esta situação, para terem em atenção as palavras, os conselhos e as propostas que os chefes militares lhes fazem, e a resolverem por forma a evitarem situações que serão extremamente desagradáveis para o País, mesmo em termos de repercussões externas”, defendeu Loureiro dos Santos , em declarações à SIC.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Então e ninguém fez nada?


O Ministério Público (MP) teve conhecimento das ligações estreitas entre o BPN e o Banco Insular de Cabo Verde em 2007, quando investigou movimentos de crédito suspeitos entre as duas instituições, revelou à Lusa fonte do grupo SLN/BPN.
De acordo esta fonte, que pediu o anonimato, no final do ano passado o MP inquiriu os administradores do BPN e do Banco Insular sobre um conjunto de movimentos de crédito entre as duas instituições.
Os investigadores apresentaram-se munidos de uma listagem com centenas de transacções bancárias entre as duas instituições - o que significa que obtiveram o levantamento do sigilo bancário - tendo questionado os responsáveis do Insular sobre quatro desses movimentos.
Na altura, o facto de o Insular trabalhar quase exclusivamente com o BPN não escapou à atenção dos investigadores, que terão questionado os banqueiros sobre este facto. No entanto, não seria este o objectivo da investigação, pois o tema não voltou a ser abordado pelos investigadores, disse o mesmo responsável.
Fonte do Ministério Público afirmou que já antes, em 2005, as autoridades portuguesas pediram ajuda às suas congéneres cabo-verdianas no âmbito de uma investigação por suspeita de branqueamento de capitais envolvendo contas no BPN e no Insular.
Fonte: Jornal “Oje – Jornal económico”

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Alguém vai ter que dar um passo!...


"José Sócrates criticou o “oportunismo político” dos partidos da oposição, a propósito das reacções à grande manifestação dos professores. Lamenta, sobretudo, a posição do PSD, já que “não esperava nada dos partidos” à sua esquerda. Mas, se pensa assim, a verdade é que na lógica da política também não devia esperar nada dos partidos à sua direita. E o CDS-PP alinha nas críticas à ministra da Educação... Criticam todos! Pode não ser fácil ao primeiro-ministro reconhecer que alguma coisa está menos bem. Mas quando se chega a uma situação como esta, quando há 120 mil professores na rua num impressionante protesto, importa admitir que haverá alguma coisa menos bem. A irredutibilidade, de um e outro lado, a nada conduz. Está na hora de um passo no sentido de ultrapassar a situação. E, se não for a ministra, terá de ser o chefe do Governo."


Editorial jornal “Global” de 10 de Novembro de 2008-11-10
Escrito por: Silva Pires (Director)
Só um comentário:
120.000 pessoas a dizerem não. Será que elas estão todas erradas ao contrário do Governo?

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

50 cent... não é por acaso!...

Não foi por acaso que apareceu esta nota a circular na "net" depois da vitória de Barak Obama...


"Curtis James Jackson III cresceu no bairro conhecido como South Jamaica, localizado no Queens, Nova Iorque. O rapper foi criado pela mãe que abandonada tornou-se prostituta, sem a ajuda do pai. Ela foi encontrada morta ainda quando Curtis era criança, vivendo o resto de sua infância e adolescência com seus avós. No filme , o rapper conta que o nome 50 Cent foi inspirado em "um garoto que fazia assaltos no Brooklyn".
Ele começou a escrever suas letras de rap bem cedo, mas só levou o trabalho a sério após o nascimento do seu filho. Assinando contrato com a
Jam Master Jay e aprendendo a contar barras e estruturas das músicas, a musica mais popular no mundo foi "In Da Club". Desde o seu início na vida Rapper Gangster, ele era comandado por Majestic, um homem poderoso, que mandava em outros "capangas" para fugir da polícia e conseguir respeito.
No dia de sua volta aos encontros de rap, 50 Cent descobre que
Majestic matou sua mãe e que esse não queria que 50 Cent se apresentasse naquela área, pois Majestic perderia todo seu respeito lá. Na ira de sua entrada ao encontro, Majestic tentou matá-lo com uma faca, mas um de seus amigos, Bama, baleou o ex-chefe de 50 Cent, levando-o a morte.
Tiroteio
Em Abril de 2000, três dias antes de filmar seu vídeo com o grupo
Destiny's Child da música "Thug Luv", 50 Cent foi baleado 9 vezes. Todas as balas acertaram ele, uma no maxilar, uma em cada perna, uma no dedo mínimo que saiu pelo dedão, uma no mesmo braço que depois ele fez uma tatuagem por cima(para esconder a cicatriz), uma entre o peito e o tórax, uma no peito, uma o raspando em sua barriga e a outra no tornozelo. Isso ocorreu na frente da casa da sua avó em Queens, Nova Iorque. Seus ferimentos não eram de grande risco apesar do tiro que o acertou no maxilar acertou sua língua e deixou sua voz um pouco mais rouca , foi submetido à uma cirurgia e ficou poucos meses em recuperação enquanto a gravadora o largou do grupo. Após a recuperação, 50 Cent voltou a gravar, apesar de ter pouca renda ou ter como suportá-la, com seu novo amigo de negócios Sha Money XL. Os dois gravaram mais de trinta canções, exclusivamente para mixtapes com o propósito de criar uma reputação para 50. O valor de 50 Cent cresceu e no final de 2001 ele lançou um novo material independentemente temporariamente como LP, Guess Who's Back?. Começando a atrair o interesse, e suportado agora por seu grupo, G-Unit. Mas era diferente esta vez, melhor que criar canções novas como tiveram antes, 50 decidiu mostrar sua habilidade reformulando as batidas que já tinham sido usadas. Eles lançaram o vermelho, o branco e o azul bootleg, "50 Cent Is the Future", material revisado por Jay-Z e Mr. Pavons."

Nota: Retirado da Wikipédia.




quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Quer se queira ou não... ficará na história!...



Barak Obama - Primeiro Presidente negro dos EUA

... E o sonho tornou-se realidade!...

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Sempre a velha questão...



Um exemplo engenhoso do discurso e da política ocorreu recentemente na Assembleia das Nações Unidas e fez a comunidade do mundo sorrir.Um representante de Palestina começou: "Antes de começar a minha intervenção, quero dizer-lhes algo sobre Moisés:Quando partiu a rocha e inundou tudo de água, pensou, que oportunidade boa de tomar um banho!
Tirou a roupa, colocou-a ao lado sobre a rocha e entra na água. Quando saiu e quis vestir-se, a roupa tinha desaparecido. Um Israelita tinha-as roubado." O representante Israelita saltou furioso e disse, "Que é que você está a dizer? Os Israelitas não estavam lá nessa altura."
O representante Palestiniano sorriu e disse: "E agora que se tornou tudo claro, vou começar o meu discurso."


quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Casas que envelhecem virgens


O sector imobiliário está num momento desolador. Muitas casas não se vendem, muitas não se pagam, muitas não se constroem até ao fim. O ajustamento é feito pelo preço mas a descida do metro quadrado não é ainda suficiente para ajustar a muita oferta à pouca procura.

Os perdedores fazem fila: proprietários que não vendem, promotores que não recebem, investidores que não realizam, imobiliárias que não comissionam, bancos que não cobram, câmaras que não taxam. Todos aqueles que lucraram uma década de prosperidade estão agarrados à cabeça.
Ponto prévio: não há um "crash" imobiliário em Portugal, como há noutros países, e nem é preciso falar dos Estados Unidos. Em Espanha e em Inglaterra há enormes desvalorizações de um sector que estava sobreaquecido, com consequências devastadoras para a economia. Um "crash" imobiliário é mais perigoso que um "crash" bolsista, porque há mais dinheiro das famílias envolvido e porque demora mais tempo a inverter. Safámo-nos disso porque há vários anos deixámos de subir preços, ao contrário doutros países. Os espanhóis e os ingleses, justamente, foram grandes investidores no metro quadrado de Lisboa, Algarve e Alentejo. Agora estão a vender, saltando do prato da procura para o da oferta, desequilibrando ainda mais a balança.
Em crises bolsistas passadas, houve deslocação de dinheiro das acções para os mercados imobiliários. Mas nesta, a queda das acções é uma consequência, não uma causa, de um excesso de negócios montados em cima de crédito, gerando uma procura artificial com subavaliação de riscos, o que aumentou preços em todos os lados, incluindo o imobiliário. Agora, o mercado está ilíquido, com pouca transacção, e quem ficou dono de casas demasiado caras é primo de quem ficou com as acções a preços meteóricos: os activos desvalorizaram. Mãos cheias de nada.
É inútil agora dizer "eu bem avisei", até porque avisámos todos, ao mesmo tempo que assinávamos contratos-promessa. A subida dos preços ficou primeiro no bolso dos investidores, com o tempo passou para a algibeira dos construtores e no final eram já os donos dos terrenos a ficar com o quinhão: os preços foram subindo retroactivamente. Pelo caminho, as câmaras fecharam os olhos às florestas de cogumelos de betão, porque o seu modelo de financiamento depende viciosamente das licenças para construir e dos impostos para adquirir e habitar.
Agora, ou se desce o preço, ou não há mercado. Mas isso significa assumir prejuízos: proprietários venderão mais barato, investidores perderão dinheiro, promotores suspenderão construções.
A alternativa é não vender e assumir os custos de ficar com as "casas que envelhecem virgens", como caracteriza o presidente da associação de promotores imobiliários APEMI. Ele foi, durante anos, o Manuel Pinho do imobiliário: optimista, arauto do sucesso e do "comprem, comprem, comprem", que contribuiu para o "construam, construam, construam" que levou ao absurdo de fogos agora vazios e não transaccionáveis. Ele é um exemplo dos excessos e agora até dá lições de moral aos seus associados: o que os construtores não sabem é construir as casas que as pessoas querem, diz. Eis uma pista: o que as pessoas querem das casas é comprá-las baratas; o que os especuladores querem é vendê-las caras; o que os aflitos anseiam é despachá-las a que preço for. É tão simples quanto inconciliável. Vai demorar anos a inverter. E há milhares de monumentos com uma placa que não nos deixará esquecê-lo: a placa "vende-se".


Pedro Santos Guerreiro

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

A Banca nacionalizou o Governo.


Quando, no passado domingo, o Ministério das Finanças anunciou que o Governo vai prestar uma garantia de 20 mil milhões de euros aos bancos até ao fim do ano, respirei de alívio. Em tempos de gravíssima crise mundial, devemos ajudar quem mais precisa. E se há alguém que precisa de ajuda são os banqueiros. De acordo com notícias de Agosto deste ano, Portugal foi o país da Zona Euro em que as margens de lucro dos bancos mais aumentaram desde o início da crise. Segundo notícias de Agosto de 2007, os lucros dos quatro maiores bancos privados atingiram 1,137 mil milhões de euros, só no primeiro semestre desse ano, o que representava um aumento de 23% relativamente aos lucros dos mesmos bancos em igual período do ano anterior. Como é que esta gente estava a conseguir fazer face à crise sem a ajuda do Estado é, para mim, um mistério.
A partir de agora, porém, o Governo disponibiliza aos bancos dinheiro dos nossos impostos. Significa isto que eu, como contribuinte, sou fiador do banco que é meu credor. Financio o banco que me financia a mim. Não sei se o leitor está a conseguir captar toda a profundidade deste raciocínio. Eu consegui, mas tive de pensar muito e fiquei com dor de cabeça. Ou muito me engano ou o que se passa é o seguinte: os contribuintes emprestam o seu dinheiro aos bancos sem cobrar nada, e depois os bancos emprestam o mesmo dinheiro aos contribuintes, mas cobrando simpáticas taxas de juro. A troco de apenas algum dinheiro, os bancos emprestam-nos o nosso próprio dinheiro para que possamos fazer com ele o que quisermos. A nobreza desta atitude dos bancos deve ser sublinhada.
Tendo em conta que, depois de anos de lucros colossais, a banca precisa de ajuda, há quem receie que os bancos voltem a não saber gerir este dinheiro garantido pelo Estado. Mas eu sei que as instituições bancárias aprenderam a sua lição e vão aplicar ajuizadamente a ajuda do Governo. Tenho a certeza de que os bancos vão usar pelo menos parte desse dinheiro para devolver aos clientes aqueles arredondamentos que foram fazendo indevidamente no crédito à habitação, por exemplo, e que ascendem a vários milhares de euros no final de cada empréstimo. Essa será, sem dúvida nenhuma, uma prioridade. Vivemos tempos difíceis, e julgo que todos, sem excepção, temos de dar as mãos. Por mim, dou as mãos aos bancos. Assim que eles tirarem as mãos do meu bolso, dou mesmo.

Ricardo Araújo Pereira (Revista Visão – 23.Out.2008)

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Vox populi, Vox Dei...


"Com papas e bolos se enganam os tolos..." - Adágio Popular

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Quando a comida tapa vazios interiores

Apetece-me falar-lhe de três coisas no Dia Mundial da Alimentação, que serviu de inspiração a esta edição especial do Destak .
A primeira é que a maioria de nós tem muita sorte em nem sequer conseguir imaginar o que é passar fome. Existem 925 milhões de pessoas, entre elas 55 milhões de crianças, que morrem por falta de comida. Pior ainda, a sua situação agravou-se com a decisão tragicamente verde de canalizar 100 milhões de toneladas de cereais para a indústria dos biocombustíveis, que paga mais. Falo nisto não para que se sinta culpado por ter comida no prato, mas para recordar a necessidade de mais solidariedade:
a ajuda internacional em 2008 desceu ao nível mais baixo em 40 anos. A segunda é que ironicamente deste lado do mundo temos comida a mais. E o pior é que a comemos! O resultado está à vista nos números crescentes de gente que sofre de obesidade e de doenças cardíacas ligadas a uma dieta demasiado rica. Por outras palavras, por aqui há gente que morre por ter o prato demasiado cheio. Não é uma questão de gula, mas uma consequência de estarmos ancestralmente programados para armazenar o máximo de energia possível, de forma a sobreviver no tempo das vacas magras, que acabava sempre por chegar. Só que não chega, e tal como os hamsters, vamos enchendo as bochechas sem parar. A única solução, dizem os especialistas, é convencer o corpo de que se atravessa um período de fome, levando-o a desligar o apetite e a queimar o que acumulou. Na prática passa por entender que não é preciso comer até «encher», como nos obrigavam em crianças (a despensa cheia é um fenómeno muito recente).
A terceira está ligada ao facto de misturarmos alimentos e emoções. A comida foi usada como recompensa e como símbolo exterior de amor. Deram-nos rebuçados quando chorávamos ou esfolávamos um joelho, e hoje quando nos sentimos tristes recorremos à comida para encher vazios, para colmatar o tédio. Num quadradinho de chocolate tentamos encontrar o colo da nossa mãe. O ciclo só se rompe perante um destes ataques de fome se nos perguntarmos que buraco queremos realmente tapar. E aí podemos partir à procura do verdadeiro Graal, que não é decididamente uma bola de berlim.


ISABEL STILWELL (Editorial jornal "Destak" de 16.Out.2008)

terça-feira, 14 de outubro de 2008

A ALDEIA QUE FOGE À TRISTE REGRA DO INTERIOR

Um oásis em Trás-os-Montes. O que é que a aldeia de Palaçoulo, em Miranda do Douro, tem de diferente das outras aldeias de Trás-os-Montes? Na escola do ensino básico surgiu uma segunda turma, não há população desempregada. É um verdadeiro oásis, dizem, no reino da desertificaçãoEscola Primária de Palaçoulo reabre com mais uma turma O David quer ser caçador quando for grande. A professora explica-lhe que caçar coelhos, perdizes ou até mesmo javalis, nos montes do planalto mirandês, não é profissão. Então, talvez seja electricista como o pai, que, quando chega o mês de Outubro, também anda pelos montes a dar caça às espécies cinegéticas. David, 10 anos, frequenta uma das raras escolas de aldeia do interior transmontano. E uma escola com muitos alunos, correrias, risos e brincadeiras no hora do recreio. Este ano, David viu chegar seis novos colegas. E uma nova professora, porque a escola do 1.º ciclo básico de Palaçoulo, no concelho de Miranda do Douro, de uma passou a ter duas turmas. Caso único, espantoso, num distrito que viu, só nos últimos três anos, encerrar 220 estabelecimento de ensino. E aqui o crescimento da comunidade estudantil não se deve a filhos de imigrantes, como aconteceu há anos no Algarve: são filhos de jovens casais de Palaçoulo.Nesta aldeia onde os mais velhos ainda falam o mirandês, ao contrário do resto do País, não há desemprego. A indústria da tanoaria e das cutelarias absorve toda a mão-de-obra jovem da terra e de "aldeias vizinhas", diz com orgulho José Augusto Ramos, antigo guarda fiscal, agora presidente da junta de freguesia. E mais casais jovens, por certo, ficarão na terra onde nasceram quando avançar o loteamento, feito pela autarquia, que permitirá a construção de doze fogos.Conceição Mendo, há dois anos a leccionar em Palaçoulo, encontrou nesta aldeia de Miranda alunos com conhecimentos "razoáveis". "São crianças que já têm computador em casa e sabem lidar bem com as novas tecnologias." Os pais, o casal, estão empregados. "Depois do trabalho na fábrica, vão para o campo e todos cultivam a sua horta." Este complemento sadio, segundo a professora, permite-lhes "um nível económico sem grandes problemas".David, o menino que deseja ser caçador como o pai, gostava de aprender o dialecto dos seus antepassados. Aliás, todos os alunos do 4.º ano manisfestaram esse desejo. E podiam aprender o mirandês, disciplina optativa, a par do inglês. À entrada da aldeia, na placa toponímica o nome aparece grafado em Português e no dialecto local. Os pais, contudo, não acharam importante os seus filhos saberem falar e escrever em mirandês. Já em Sendim, na outra escola do agrupamento, os alunos recebem duas horas semanais dessa língua.Se no 1.º ciclo do ensino básico houve um crescimento de alunos, na pré-primária, que funciona mesmo ao lado da escola, a história é um pouco diferente. Pela primeira vez, nos últimos anos, saíram crianças (as seis que forçaram a duplicação da turma) e não entrou nenhuma. A situação não é preocupante, garante a educadora Ermelinda Fernandes. "Palaçoulo é uma aldeia em desenvolvimento", diz. Dentro de três ou quatro anos, o jardim infantil , agora com meia dúzia de meninos, voltará a atingir o número de "12 ou 13 crianças".Palaçoulo com tecnologia ao nível da indústria alemãTrabalho. Empresas familiares passam fronteiras e travam despovoamento Chamam-lhe o "oásis" no meio da desertificação transmontana. Na aldeia de Palaçoulo, terra de fabricantes de pipas , facas e canivetes, não há desemprego. A agricultura, outrora a principal actividade, está em declínio, mas as indústrias locais, todas elas familiares, sustêm o despovoamento.A família Gonçalves tem um século de experiência na arte de tanoaria. Da pequena oficina artesanal, passou a fábrica com a mais moderna tecnologia, que exporta "80 a 90 %" da sua produção". As pipas aqui produzidas destinam-se, refere José Gonçalves, a mercados como o dos Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia, França, Chile e Argentina.A tanoaria da família Gonçalves dá emprego a 42 pessoas. O volume anual de negócios ronda os 5 milhões de euros. "Não é nada do outro mundo", refere José Gonçalves, jovem empresário, que ajudou à duplicação da turma da escola do ensino básico: um filho entrou agora para o 1.º ano, tem outro na pré-primária. "Não é nada do outro mundo, porque estamos numa aldeia. E se dizem que isto é um oásis, o que nos cerca, toda a região transmontana, é um deserto!"Palaçoulo também nos remete para as cutelarias, com grande tradição na aldeia, que fica a cerca de 25 quilómetros de Espanha. Na mais familiar de todas, os três irmãos Pires, que aprenderam a arte com o pai, fizeram em tempos "o maior canivete do mundo". Não saberemos se é ou não o maior de todos. Um coisa é certa, vimos a réplica e tal navalhinha impõe--se: aberta mede quase quatro metros, pesa 122 quilos.Os irmãos Pires, presença habitual nas principais feiras de artesanato do País, demoraram nove dias a fabricar o gigantesco objecto. Esta casa - aos três irmãos junta-se outro artesão - além dos canivetes, alguns com cabo de chifre de veado ou de dente de javali, fabrica facas, punhais, cutelos e machados.Com outra dimensão são as duas fábricas de cutelarias: a de José Afonso Martins e a FilMAM. Empregam 40 trabalhadores e disputam mercado além fronteiras. "Temos tecnologia evoluída ao nível dos alemães", diz o sócio gerente da Afonso Martins. Espanha, França, Itália e Angola são alguns dos países para onde são exportadas as cutelarias de Palaçoulo.Uma das empresas, familiares como todas as outras existentes na aldeia de Trás-os-Montes profundo, tem licenciamento para produzir, desde este ano, canivetes com os símbolos dos três grandes do futebol português: Benfica, Porto e Sporting.A freguesia de Palaçoulo tem 700 habitantes. O presidente da junta, José Augusto Ramos, deseja preservar a memória da agricultura tradicional da sua agora industrializada aldeia. Um particular ofereceu-lhe o espólio, fruto de recolhas de anos. Falta o espaço para o museu.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Lola, a 'schindler' galega, salvou 500 judeus.


Nunca é demais relembrar:

Lola Touza Domínguez seria hoje lembrada como a mãe solteira que geria o bar da estação de comboios de Ribadavia, na Galiza, não fosse o facto de ter liderado uma rede clandestina que, entre 1941 e 1945, ajudou perto de cinco centenas de judeus a escapar às chamas do Holocausto. A história desta "Schindler" galega era tão secreta que nem os seus filhos tiveram conhecimento dela, escreveu ontem o jornal espanhol El Mundo, que lhe dedicou três páginas.

O segredo de La Madre, nome de código que ela usou na altura, foi apenas desvendado, em 1964, por um dos judeus que ela ajudou a fugir para os Estados Unidos da América. Isaac Retzmann pediu naquela altura a um galego seu conhecido que procurasse notícias da mulher. Lola estava então com 70 anos (acabaria por morrer dois anos depois). O enviado galego chegou até ao alfarrabista Antón Patiño Regueira e com ele começou a desvendar o segredo.

Antes de morrer, em 2005, Antón deixou escrita a verdadeira história dos heróis de Ribadavia. Não só de Lola, mas de toda a rede, que incluía, entre outros, as suas irmãs, dois taxistas, um marinheiro, um emigrante retornado. Os judeus que fugiam pelos Pirenéus chegavam de comboio à localidade de Ribadavia, nas margens do rio Minho, sendo depois transferidos para Portugal. A maioria partia em seguida, de barco, para os EUA, Brasil, Argentina, Venezuela, Marrocos ou Argélia.

Foi também só agora que o neto de Lola, Julio, de 57 anos, pôde começar a reconstituir a história. No mês passado foi plantada na Ala dos Justos entre as Nações uma árvore em homenagem de Lola. Este título é atribuído pela Fundação Yad Vashem, em Jerusalém Ocidental, a todos os que salvaram judeus.

DN de 13 de Outubro de 2008.


quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Galinhas tontas

Depois do período de caça aos culpados no sector financeiro, actividade sempre simpática nestes momentos em que todos sacodem a culpa para o lado, o drama inicial ameaça tornar-se num filme de terror. O que se adivinhava. Os governos estão a comportar-se como as galinhas em momentos de pânico: fogem em todas as direcções. Depois de alimentados, anos a fio, com o milho do neo-liberalismo, vêem-se sem capoeira.

A actual geração de líderes formou-se no período pós-Thatcher e pós-Reagan, em que os governos atiraram para o lixo as ideologias e se tornaram gestores. Desde então nada diferenciava a esquerda da direita. Escolhia-se, apenas, quem aparentava ser o mais competente para gerir a economia de mercado.
O resultado está à vista: o delicado castelo de cartas financeiro ruiu com estrondo, e os governos refugiaram-se nos anti-depressivos. A economia criada a partir de ficções criou líderes de desenhos animados. Olhe-se para a resposta dos principais líderes europeus à crise: D’Artagnan (o do "um por todos, e todos por um!") teria vergonha de voltar a sair à rua. Já se sabia que a UE não tem uma política única de defesa. Mas acreditava-se que, num momento de crise financeira grave, tivesse uma política económica única. Não tem.

O que é uma vergonha para uma comunidade que começou a ser construída à volta de um mercado comum. Os novos políticos europeus estão órfãos. Nem têm ideologia, nem, agora, sabem usar o poder do Estado. Eram gestores. Agora são galinhas tontas.


(Fernando Sobral – Jornal de Negócios 08/10/2008)

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Vivó nosso Presidente!...


Actualmente recebe três pensões pagas pelo Estado:

4.152,00 - Banco de Portugal.

2.328 ,00 - Universidade Nova de Lisboa.

2.876,00 - Por ter sido primeiro-ministro.
9.356,00 - TOTAL ( 1 875 709 $ 60 )
Podendo acumulá-las com o vencimento de P. R.

Porque será que, o Expresso, o Público, o Independente, o Correio da Manhã e o Diário de Notícias, não abordaram este caso, mas trataram os outros conhecidos, elevando-os quase à categoria de escândalos, será que vão fazer o mesmo que fizeram com os outros ??

Não será por este e outros a razão da falência da Segurança Social ???
Só as reformas dos funcionários públicos é que causam tanto mal à economia deste país???


Imagem: Mais uma vez me "socorri" do WeHaveKaosInTheGarden...

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Inverno Frio


Não resisti a colocar esta pequena história que me foi agora enviada por "mail". Está 5*...

Estava-se no Outono e, os Índios de uma reserva americana perguntaram ao novo Chefe se o Inverno iria ser muito rigoroso ou se, pelo contrário, poderia ser mais suave. Tratando-se de um Chefe Índio mas da era moderna, ele não conseguia interpretar os sinais que lhe permitissem prever o tempo, no entanto, para não correr muitos riscos, foi dizendo que sim senhor, deveriam estar preparados e cortar a lenha suficiente para aguentar um Inverno frio.
Mas como também era um líder prático e preocupado, alguns dias depois teve uma ideia. Dirigiu-se à cabine telefónica pública, ligou para o Serviço Meteorológico Nacional e perguntou: "O próximo Inverno vai ser frio?" -"Parece que na realidade este Inverno vai ser mesmo frio" respondeu o meteorologista de serviço.
O Chefe voltou para o seu povo e mandou que cortassem mais lenha. Uma semana mais tarde, voltou a falar para o Serviço Meteorológico: "Vai ser um Inverno muito frio?" "Sim," responderam novamente do outro lado, "O Inverno vai ser mesmo muito frio".Mais uma vez o Chefe voltou para o seu povo e mandou que apanhassem toda a lenha que pudessem sem desperdiçar sequer as pequenas cavacas. Duas semanas mais tarde voltou a falar para o Serviço Meteorológico Nacional: "Vocês têm a certeza que este Inverno vai ser mesmo muito frio?" "Absolutamente" respondeu o homem "Vai ser um dos Invernos mais frios de sempre."
"Como podem ter tanto a certeza?" perguntou o Chefe. O meteorologista respondeu "Os Índios estão a aprovisionar lenha que parecem uns doidos."É assim que funciona o mercado de acções.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

‘Ensaio sobre a cegueira’ revolta invisuais nos EUA


"Película da autoria do cineasta brasileiro Fernando Meirelles é inspirada no romance do português e laureado com o Nobel da Literatura, José Saramago.

O filme “Ensaio sobre a cegueira”, de Fernando Meirelles, estreia amanhã nos Estados Unidos, mas está já a causar polémica entre os invisuais, que se queixam da imagem que é passada sobre os cegos.
A Federação Nacional dos Invisuais dos Estados Unidos está a preparar um protesto contra o filme, que se baseia num romance de José Saramago, e que estreará em 75 salas de cinema em pelo menos 21 estados norte-americanos.
Citado pela Associated Press, o presidente da Federação Nacional dos Invisuais, Marc Maurer, afirmou que a cegueira não é uma “alegoria muito inteligente para falar sobre o colapso da sociedade”.
“O filme retrata as pessoas cegas como monstros e isso é mentira. A cegueira não transforma pessoas decentes em monstros”, indignou-se Marc Maurer. A federação está a planear protestos junto dos cinemas, com recurso a cartazes, onde estará escrito “Não sou actor, mas na vida real eu sou uma pessoa cega”.
A história de “Ensaio sobre a cegueira” é sobre uma estranha epidemia de cegueira branca que gera o caos no seio de uma comunidade, o instinto de sobrevivência a sobrepôrse à civilização.
O filme, que conta com a interpretação de Julianne Moore, Mark Ruffalo, Danny Glover e Gael García Bernal, teve antestreia mundial em Maio, na abertura do Festival de Cinema de Cannes.
Os estúdios Miramax lamentaram o protesto e defenderam que o realizador brasileiro Fernando Meirelles teve a preocupação de se manter fiel à história de José Saramago."

In: Jornal “Global” (2 de Outubro de 2008)


Comentário: Realmente os americanos andam todos "cegos"...

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Sud Express – Uma inesperada viagem no tempo


Manhã soalheira, perdida num recanto do nosso país, longe de imaginar o que me esperava. Entrei vagarosamente na estação. Não me lembrava da última vez que andara de comboio, mas a ideia agradava-me. Mais não fosse pelo inesperado da viagem.

“Para Lisboa s.f.f”.
“No Sud Express ou no Intercidades?”, ouviu-se.
“No primeiro que passe” respondi.
Pois bem, calhara-me o Sud Express.
Aguardando no cais, percorro a memória com alguma dificuldade, dado o cansaço acumulado, agravado pelo frio que aos poucos me tolhia o pensamento.Ainda assim, rebusquei nas memórias aquela designação, e ocorreu-me:Sud Express?
O histórico comboio que outrora levou Portugal em direcção à Europa?O Sud Express que eu lera nos manuais, das emigrações e dos exílios?O famoso comboio que eu ouvira falar dos inter-rails das décadas de oitenta e noventa?A viagem que inspirou o filme?
Esperar para ver.
Encostada à parede, deixo que o sol outonal me aqueça o corpo e a alma.Fecho ligeiramente os olhos, mas logo soa ao longe o ruído do comboio que aguardo.Chega ao cais número cinco, como previsto, às 09h56.
Descem alguns passageiros, com a ânsia de quem chega ao destino.Sobem novos passageiros, com a curiosidade de quem embarca num velho pedaço de ferro, num velho pedaço de História.
Parece-se com o esboço do Sud Express que me veio à memória, ainda que antiquado, sujo e ruidoso.
Estreito corredor a fora, busco um qualquer compartimento vazio.Corro as cortinas de um laranja desbotado e deixo entrar o sol. Encosto-me e descontraio. Espera-me uma viagem de uma hora, sem paragens até ao destino.Apetece-me dormir, mas luto contra o cansaço. Quero desfrutar a viagem, seja lá o que isso for.
O comboio arranca, com a dificuldade e lentidão que se espera de um centenário. O trémulo Sud Express reinicia a viagem e eu deslizo pelo banco a baixo.
Um homem de meia-idade bate no vidro da porta de correr e pergunta se pode partilhar comigo o compartimento.
Que dejá vu . Soava-me a filme.
Murmuro um Sim, acompanhado com um sorriso amarelo qb.
Munido de um tripé e gigantes objectivas fotográficas, instala-se no banco da frente.Mete conversa, outra coisa não seria de esperar.
Se me importo que estique as pernas e as apoie no banco. Não.
Se faz paragens até Lisboa. Pelo que sei, não.
Se tenho lume. Não fumo.
Se estou a gostar de ler aquele livro. Mais ou menos.Se costumo viajar de comboio. Não.
Se não acho que em vez do TGV, seria mais certeiro e menos megalómano reabilitar as linhas ferroviárias existentes. Acho.
Perante tamanha amabilidade, resolve dedicar-se a ler um qualquer semanário.Em boa-hora, talvez assim eu possa contemplar o cenário lá fora.
A janela era um ecrã sem direito a zapping.
Paisagens de um verde acastanhado iam alternando com a solidão das casas que o sol iluminava sem grande êxito. Uma estrada vazia, ao longe. Um aglomerado de casebres parecia perdido num vale escuro e húmido. Os campos de cultivo, descurados, votados ao esquecimento, povoados de ervas daninhas. Nem uma pessoa a vislumbrar.
Aos poucos, o cenário começava a mudar. A periferia de Lisboa, triste, poeirenta, pardacenta, grafittada, gradeada.
Abranda o ritmo quando se avista a moderna Gare do Oriente, em contraste com o velho comboio.
Desembarcam alguns, seguem os resistentes.
Ao fim da manhã de domingo, chega a Santa Apolónia.
Com vagar, despeço-me do companheiro de viagem com um sabor amargo que não me é característico.
Do nada, beija-me a mão e despede-se com um sorriso que lembra o meu avô.Ou seja, afável, mesmo quando não é correspondido.
Desço para o cais. As plataformas estão praticamente desertas, silenciosas. Os meus olhos vêem-nas a preto e branco, numa versão de outros tempos.
Um filme, esta viagem.
Como aquele a que o Sud Express já deu nome.

Publicada no blog: agre-e-doce.blogspot.com/2007/11/crnica-de-um...

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

A decomposição da Esquerda.


No ano 2000 havia, na Europa, onze governos socialistas ou sociais-democratas. Actualmente, subsistem três. Tomo as definições "socialistas" e "sociais-democratas" com a prudência suspeitosa que elas exigem. Historicamente, têm perdido a matriz original e os seus dirigentes, na esmagadora maioria dos casos, envolvem-se em escândalos, forjam alianças com as forças políticas mais tenebrosas, tripudiam sobre a ideologia, mandaram as convicções às malvas.

Nunca é de mais repetir estas verdades.
A geração "socialista" que tomou o poder a partir da década de 80 é uma desgraça. Mesmo Zapatero, apontado como exemplo quase único, tem dias. Em Portugal, a prática do PS é o que se sabe. E este Governo só não é escorraçado, porque o adversário directo, pouco diz do que pretende fazer, e esse pouco é assustador. À Esquerda, o PCP sobe, como indicam as sondagens, advertiram os "politólogos" e impõe o eleitorado. A intensificação da "violência económica" resulta da perplexidade social e da abdicação política em favor do "mercado."Na Europa, os meios populares, base de apoio dos partidos de Esquerda, manifestam uma inquietada desconfiança. De um modo quase generalizado, os partidos comunistas são uma reminiscência, com escasso poder e reduzida influência. A ascensão da Direita dimana dessa absoluta incapacidade de os "socialistas" em encontrar soluções. É uma deriva que se arrasta há quase três décadas. E a queda dos governos europeus, assinalados como de Esquerda, colocou, por exemplo, no poder da União Europeia as forças mais conservadoras e, até, reaccionárias. A Europa não possui resposta, como um todo, para as crises que se desenvolvem e multiplicam, porque não previu as modificações, se regozijou com os prestígios do "mercado" e orientou-se para a acção única do pensamento único.Jean-Gabriel Fredet, no último "Nouvel Observateur", esclarecia que a crise da União Europeia podia ser entendida como o fim de um modelo social de que a Esquerda quisera dotar a Europa, esquecendo-se, ou ignorando que não há associação possível entre as abruptas leis do mercado e as imperiosas necessidades redistributivas.A verdade é que os "socialistas" não estão nada interessados em reflectir sobre a mudança do mundo. São, apenas, os servis gestores do capitalismo mais selvático. Naturalmente, esta situação não pode continuar. E dá-me imensa vontade de rir os "comentários" de preopinantes portugueses, sobre as virtudes (inclusive "morais") do neoliberalismo, apontando a infausta experiência de Tony Blair como exemplo de "pragmatismo." O "pragmatismo" é a expressão que tem encoberto as traições mais vis, e permitido a abundante criação de um grupo de estipendiados. A vergonha e a indignidade chegaram, já há anos, aos jornais, às rádios e às televisões.Há dias, conversando com um dos meus amigos mais estimados, o grande jornalista João Paulo Guerra, concluímos que o vazio ético, a capitulação profissional que lavra, como endemia, no nosso país, são reflexos da decadência da Esquerda e desse sentido individualista de tratar da vidinha que se tornou numa carta-de-alforria para a sobrevivência. Anotámos os nomes daqueles que passam de directores de jornais para directores de jornais e daqui para a direcção de agências noticiosas, para assessorias, para secretariados. A maioria não sabe escrever uma notícia, jamais assinou uma reportagem, confunde crónica com artigo e editorial com comentário, veste-se de igual modo, move-se com ar grave e semblante marcado. Afinal, são, apenas, sapatos Gucci, fatos Massimo Dutti, e cabelo cheio de gel. Alguns, cuja mediocridade é pavorosa, treparam à direcção de importantes diários. O resultado foi catastrófico.
A assunção desta mediocridade, que faz jornalismo através de telefonemas e de nomes em agendas, devolve a imagem da actualidade portuguesa. A classe política que nos dirige é doentiamente insignificante: nem sequer sofrível. Olhe o Dilecto para aquelas caras, tenha a paciência de os escutar, de os ler, de assistir a esse circo de comentadores de televisão, sempre os mesmos ou tocadores do mesmo solfejo. Aqueles que se insurgem são apodados de ter "mau feitio", o modo de se assinalar, negativamente, a grandeza de carácter. As perseguições a jornalistas livres, que se não conformavam com a situação, criada a partir da década de 80, foi terrível. Grandes profissionais de Imprensa foram para o desemprego ou abandonaram a profissão, sem saídas para desempenhar o seu trabalho, as suas funções, a sua vocação.
A educação cívica, que compreende a aceitação das vozes discordantes, foi dizimada por uma casta de oportunistas. E, quase insistentemente, estimulada pelos partidos que se dizem "democráticos." O processo de decomposição da Esquerda, mas, também, da Direita, esta Direita é risível, pela soberba e espantosa iliteracia, invalidam qualquer possibilidade de restauração. Mas renovar, como e com quem? Descobrir gente honrada e competente no interior dos partidos? O busílis está aí. Porque os partidos converteram-se em agências de empregos, desprovidos de ideais morais, com clientelas domesticadas porque as sinecuras e o nepotismo são compensadores.


Baptista Bastos
(Jornal de negócios de 19.09.2008)

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

A miséria da ganância.


"O sistema financeiro estado-unidense vai derretendo a olhos vistos, depois de anos de negócios irresponsáveis com esquemas mirabolantes. E assentes na privatização, liberalização e desregulamentação dos mercados, com a chancela ou incentivo dos poderes públicos. Entretanto, o desemprego, os preços e as prestações dos créditos imobiliários aumentam, deixando muitos num profundo desespero.
Para tentar evitar o colapso, a Reserva Federal tem facilitado o acesso dos bancos à liquidez. Se a maior seguradora dos EUA apresenta um passivo de biliões, o Fed injecta outros tantos e nacionaliza. É assim. O discurso da autonomia do mercado e a fé cega nas suas leis, não passa disso mesmo. Dum discurso. Palavrinhas contra a protecção do Estado que emudecem assim que os capitalistas estão aflitos. Afinal, essas teorias da auto-regulação são tão redondas que não foi o mercado, uma vez mais, que encontrou soluções para os seus problemas.
Os liberais, que não hesitam em sistematicamente bradar contra o Estado, lembram-se logo de o chamar, quando estão em crise. Assumem riscos se tudo vai bem. Se as coisas correm mal, esperam que o contribuinte abra os cordões à bolsa. Quando a crise passar e os lucros surgirem de novo, seguir-se-á a desnacionalização. Quando ganham, guardam. Se perdem, logo socializam os danos. Lucros privados, prejuízo público.
Assim vai o liberalismo. Sempre que o Estado protege os mais desfavorecidos, clama-se por menos Estado. Já se as empresas precisam de ajuda, pede-se mais Estado. Para estes liberais, o Estado é mau quando ajuda os pobres. E bom quando dá aos ricos.
paga o justo pelo pecador. Pagam os contribuintes e pagam as entidades financeiras supervisionadas e sérias às entidades que criaram o monstro. Inclusivamente às que atribuíram prémios que, também ao contrário dos discursos gordos sobre a meritocracia e ao slogan que só a gestão privada funciona, medalharam o mau trabalho de muitos responsáveis empresariais. Richard Fuld, CEO da Lehman Brothers, é exemplo de que a má gestão compensa: ganhou três milhões de euros de bónus em 2007. Foi agraciado por destruir a empresa. Mas não é caso único. Há trinta anos os CEO ganhavam cerca de 30 a 40 vezes mais do que a média dos restantes trabalhadores das suas companhias. No ano passado, ganhavam mais 344 vezes. Assim vai a auto-regulação.
Entre as várias lições a serem extraídas da actual crise (e a não serem esquecidas, como foram as consequentes às crises dos anos 20 e 30 do século XX), destaca-se que tudo privatizar (incluindo a segurança social) representa um tremendo risco. E os liberais deveriam, duma vez por todas, reconhecer que o mercado necessita de ser controlado pelos poderes públicos. Já estes deveriam perceber que é tempo de recuperarem muito do que perderam e regressarem à politica. Nesta altura, é evidente que as instituições nem sempre sabem o que fazem e que são indispensáveis reformas estruturais internacionais e nacionais. Novas regras que, nomeadamente, previnam fases menos fáceis e que evitem que, sistematicamente, a economia de casino seja bancada por dinheiros públicos. A complexidade financeira requer supervisores de igual sofisticação e se o sistema aceita a intervenção do Estado para salvar bancos, terá também que aceitar submeter-se a um controlo mais apertado. Até porque os actuais esforços de salvamento não podem encorajar mais comportamentos irresponsáveis no futuro.
Mas parece que os liberais, mesmo assim, insistem que o problema resulta da regulação do mercado e não da sua desregulação. Há até quem defenda que se o Estado não interferisse tudo estaria melhor. Dá vontade de rir. Se essa gigantesca seguradora AIG falisse, por exemplo, o impacto seria de tal ordem que a economia global poderia ficar de rastos, afectando muitas empresas e milhares de pessoas em todo o mundo. Mas, para estes liberais, são apenas efeitos colaterais. É deixar andar, desde que o Estado cubra os estragos."


In: Jornal "Sexta" de 19.09.2008 (Joana Amaral Dias)

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Quando é que "eles" percebem isto?




"Portugal, país do primeiro mundo rico, tem hoje dois milhões de habitantes que necessitam de ajuda alimentar. Com a persistência da política anti-social, mitigada por esmolas, daqui por uns anos terá três milhões."


João Paulo Guerra, "Diário Económico", 19 de Setembro de 2008

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

E o povo a ver passar os comboios...


O governo anunciou que vai publicar a lista dos “insolventes crónicos”, o que em linguagem de gente é suposto ser uma lista de caloteiros, empresas e pessoas que já não têm qualquer património e a quem não vale a pena cobrar uma dívida em tribunal. Esta definição de caloteiros, no entanto, peca por ser imprecisa. Caloteiro é aquele que dá um calote, ou seja, alguém, pessoa ou empresa, que pede dinheiro emprestado e não o devolve, compra um bem ou um serviço e não o paga, encomenda um trabalho e usa todas as artimanhas, incluindo a força, para não o remunerar como combinado.
Nesta definição alargada de caloteiro, o próprio Estado — incluindo governo, autar- quias e institutos públicos — devia vir em primeiro lugar na lista. O Estado acumula dívidas atrás de dívidas porque não paga aos seus fornecedores a tempo e horas. As dívidas às farmácias, aos empreiteiros de obras públicas e a to dos os fornecedores de serviços prolongam-se por meses e anos sem que os credores tenham qualquer meio à sua disposição para exigir o pagamento do que lhes é devido no prazo combinado.
Como qualquer bom caloteiro que se preze, o Estado vai arranjando desculpas, fazendo promessas de que para o mês que vem ou depois das próximas eleições é que vai ser, e as dívidas vão-se acumulando. E, como sabe qualquer pessoa que tenha um diferendo com as Finanças, reclamar dá direito a ameaças de inspecções fiscais. Quem pode, pode, é a filosofia dominante.
E como o exemplo vem de cima (o ministro das Obras Públicas acaba de anunciar que quer suspender durante um ano o pagamento das rendas às Scuts), a prática de dilatar no tempo os pagamentos é hoje generalizada. São cada vez mais raras as empresas que já pagam o que encomendam no acto da entrega, ou mesmo a 30 dias. Os pagamentos a 90 e a 120 dias são prática comum, sobretudo nas grandes empresas que graças à sua posição dominante no mercado podem impor as regras que bem entendem. Os seus fornecedores, que dependem delas para escoar os seus produtos e serviços, calam e amocham. Muitas têm de recorrer a empréstimos bancários com juros elevados para terem dinheiro para pagar salários, que esses têm mesmo de pagos a 30 dias, empréstimos que não seriam necessários se os seus clientes lhes pagassem em tempo útil. É claro que esta prática desonesta e que vicia a realidade da economia não é exclusiva de Portugal, mesmo se nos podemos gabar de termos sido pioneiros — não é por acaso que a palavra para caloteiro, em italiano, é “portoghesi”.


Autor: José Júdice

In: Jornal “Metro” de 17 de Setembro de 2008

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Cortem-me o pescoço!... Aceitam-se candidatos...


"Cortem-me o pescoço se se provar um cêntimo de prejuízo”

Valentim Loureiro disse esta quinta-feira que lhe podem cortar o pescoço se se provar "um cêntimo de prejuízo" para a Câmara de Gondomar no caso do complexo desportivo em Rio Tinto, que deu origem a mais uma acusação contra o autarca.
"Cortem-me o pescoço se um dia se provar que houve um cêntimo de prejuízo para a câmara neste processo. Podem-me cortar o pescoço, que eu faço uma carta a dizer que o autorizei", afirmou o presidente da Câmara de Gondomar, em conferência de imprensa.
O autarca referiu que se limitou a despachar uma proposta de abertura de concurso, uma adjudicação nos termos em que lhe foi proposta, "ao concorrente com mais baixo preço".
"Se isto é crime, sinceramente não tenho consciência disso", comentou.
"No que a mim respeita, tenho a certeza absoluta de que não cometi qualquer crime de prevaricação, nem de falsificação de documentos. Eu não cometi", sustentou.
Questionado se a obra já não estaria concluída quando despachou a abertura do concurso, Valentim Loureiro disse: "Um presidente de câmara, quando despacha com os seus vereadores, naturalmente que não faz uma análise exaustiva dos pormenores".
"Mesmo que isso tivesse acontecido, não foi com o meu conhecimento", assegurou.
O autarca acrescentou ainda que "para haver prevaricação tem que haver consciência de que se está a cometer um crime".
Quanto a possíveis irregularidades administrativas - disse Valentim - "admitir que tenha havido".
"Mas, a ter havido, foi por parte dos serviços, que não de nenhum político, e as intenções foram as melhores", frisou embora admitindo que aquelas "podem não ter sido as legais".
Valentim Loureiro está acusado dos crimes de prevaricação e falsificação de documento no processo de construção de um complexo desportivo em Rio Tinto, de acordo com a acusação deduzida, segunda-feira, pelo Ministério Público.
Em causa está, neste processo, um alegado favorecimento no concurso para a construção de um complexo desportivo em Rio Tinto.

In: JN de 12 de Setembro de 2008